<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945</id><updated>2011-07-08T00:20:43.784-03:00</updated><title type='text'>Delírios e desatinos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>54</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-2343772707432828289</id><published>2009-11-30T22:47:00.003-02:00</published><updated>2009-11-30T22:51:25.265-02:00</updated><title type='text'>O amor começa</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;“Estou sendo alegre neste mesmo instante porque me recuso a ser vencida: então eu amo. Como resposta.”&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Clarice Lispector&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O amor começa. Naquele mesmo café engordurado onde outro amor acabara depois de começar em parques de ouro; num começo de noite de domingo de brisa e lua cheia depois de teatro e alegria; na identificação de um sorriso gêmeo, perdido na multidão, quando eles dois desviaram brevemente a atenção de suas rodas e se olharam encontrados. De repente começa o amor, admirado em singelezas e gratidões; na leveza da mútua admissão de humildades e pequenezas; no reconhecerem-se humanos – falíveis, pois – e nada além. No molhado do ombro amigo que consola a perda de outro amor; na vazante das marés ciscando areias; em trocas de telefones depois de batidas de carros; num quarto de motel, pela manhã, quando o pacto do vazio do sexo casual entre amigos começa a deixar de ser cumprido. Numa trombada acidental em uma loja de CDs em Varsóvia, na poesia barulhenta da Feira do Crato, nos recônditos cantos onde a tensão se desfaz em Mianmar, na fila da carne do mercado do Ver-o-Peso, no encontro casual de dois jovens numa boca-de-fumo no Morro dos Macacos. E se inicia o amor como raiva, inveja, até como ódio, para depois irromper em paixões arrebatadoras que, findas, se desfiarão em ternuras. Pulsa o amor no verão, quando ainda não é mais que tesão nas ancas largas que passam rebolando no calçadão de Copacabana e certamente virá a ser a plenitude atlética de trepadas homéricas ainda antes que o refestelo se torne amor entorpecido; mas mais provável que comece na carência do inverno, estação sórdida, de memórias e abraços. Pode o amor começar na empáfia das mulheres empedernidas que nasceram dizendo não; seguro que vá nascer dos rompantes coléricos dos Florentinos Arizas à procura de suas Ferminas Dazas. O amor começa em sorvetes de pistache em terças-feiras tediosas e é bem capaz que saia das sombras como amor-resposta. Na África se inicia como solidariedade; na Ásia, como sabedoria; em Cuba, como resignação. Em qualquer lugar, como entrega, doação. No Brasil o amor poderá começar da saudade. Nascerá de corações dilacerados, daqueles mesmos que o médico sentenciara imprestáveis para o amor. Três goles de cerveja e o amor começa, uma tortinha de morango e o amor começa, duas aleluias e o amor começa. Em hospitais, já perto do fim, entre os que vão e os que ficam, o amor começa. Por qualquer motivo o amor começa; a qualquer hora o amor começa, em qualquer lugar o amor começa. E começa nem que seja para acabar uma vez mais, ainda antes de começar novamente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;****&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Este texto foi originalmente publicado no blog &lt;a href="http://miradouro.wordpress.com/2009/11/30/o-amor-comeca/"&gt;Miradouro&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-2343772707432828289?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/2343772707432828289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=2343772707432828289&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/2343772707432828289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/2343772707432828289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2009/11/o-amor-comeca.html' title='O amor começa'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-407062495130927764</id><published>2009-11-28T20:42:00.001-02:00</published><updated>2009-11-28T20:45:06.420-02:00</updated><title type='text'>Do meu irmãozinho do outro lado</title><content type='html'>***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ninguem que ama verdadeiramente pode submeter o outro ao que quer que seja. Isso não é felicidade. É castigo."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-407062495130927764?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/407062495130927764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=407062495130927764&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/407062495130927764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/407062495130927764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2009/11/do-meu-irmaozinho-do-outro-lado.html' title='Do meu irmãozinho do outro lado'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-712262251385494197</id><published>2009-01-18T20:33:00.000-02:00</published><updated>2009-01-18T20:34:54.476-02:00</updated><title type='text'>Vá ver</title><content type='html'>***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A voz lhe disse (uma secreta voz):&lt;br /&gt;- Vai, Alécio, ver.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Carlos Drummond de Andrade)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois Alécio foi ver. E viu o natural das coisas e das gentes, o cão, o parque, o traço da passagem das pessoas na rua. E viu a graça umbilical do nu feminino, conversas de café, e também o dia, em sua novidade não sabida, a inaugurar-se todas as manhãs. Sabe por quê? Porque Alécio foi ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós, o que temos visto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconfio que não muito além de nossas dores de barriga, do chefe injusto, do carro que precisamos vender ou queremos comprar. Do novo BBB, Ronaldo no Coringão e deste carro-maldito-que-está-na-minha-frente-e-que-não-anda-a-mais-de-quarenta-por-hora-socorro-eu-estou-atrasado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso olhar além. Mais ainda: é preciso olhar além e segurar o olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é Gaza a dilacerar-nos o coração e a devastar-nos a alma. Temos todos tido uma opinião, um comentário mais-do-que-oportuno, uma solução pacífica, viável e magistral para o problema. Temos assinado petições on-line, feito passeatas, trocado e-mails fervorosos e nos perdido em longas conversas de bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há o cessar-fogo, e em duas ou três semanas Gaza será apenas uma notinha no rodapé nos jornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós varreremos para algum recôndito canto da memória as seis criancinhas da foto dividindo uma bolacha, as 50 pessoas que agora são obrigadas a dividir uma casa com dois cômodos, a impressionante imagem da mãe inconsolável que perdeu os filhos num bombardeio. As centenas de milhares de pessoas que agora precisarão cada vez mais de ajuda humanitária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta semana em diante teremos opiniões descartáveis sobre o novo governo dos EUA. E na outra sobre o referendo sobre a constituição boliviana. E na outra sobre os novos presidentes da Câmara e do Senado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você dormirá reconfortado, sabendo que o mundo está nas mãos de Barack Obama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a cólera e a inflação continuarão correndo soltas no Zimbábue, Mianmar não será um lugar livre, e o aquecimento global (lembra dele?) seguirá tornando seus janeiros cada vez mais quentes. E a casa em que morarão aqueles 50 palestinos não estará maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha sugestão vai no imperativo: adote um assunto. Fuce sobre ele na internet. Procure as coisas que não estão te contando. Milite. Movimente a sua rua, o seu bairro, o planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deixe de fazer como Alécio: vá ver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-712262251385494197?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/712262251385494197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=712262251385494197&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/712262251385494197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/712262251385494197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2009/01/v-ver.html' title='Vá ver'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-120806689685803561</id><published>2008-12-10T13:43:00.004-02:00</published><updated>2008-12-10T13:53:35.443-02:00</updated><title type='text'>Raposa Serra do Sol</title><content type='html'>***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez, &lt;em&gt;pasa lo siguiente&lt;/em&gt;: o STF retomou hoje o julgamento sobre a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol, depois de o ministro Direito ter pedido vista do processo, interrompendo-o há algumas semanas. Pois bem. Mal recomeçou, o julgamento foi suspenso de novo nesta quarta, desta vez por um pedido de vista do excelentíssimo ministro Marco Aurélio Mello.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu estou tentando saber é:&lt;br /&gt;Se o outro ministro pediu tempo para ver o processo, porque ele também não aproveitou e viu? Será que não dava pra fazer outra cópia pra ele?&lt;br /&gt;Mais: se eles estão julgando um processo tão importante, será que os ministros não deveriam saber tudo sobre ele, de cabo a rabo, de trás pra frente e de cor e salteado?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-120806689685803561?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/120806689685803561/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=120806689685803561&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/120806689685803561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/120806689685803561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/12/raposa-serra-do-sol.html' title='Raposa Serra do Sol'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-2927620714277559936</id><published>2008-11-16T23:37:00.002-02:00</published><updated>2008-11-16T23:38:51.128-02:00</updated><title type='text'>Mini conto</title><content type='html'>***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma fração de segundos, quando se descongelar este instante, uma bala me vai explodir a cabeça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-2927620714277559936?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/2927620714277559936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=2927620714277559936&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/2927620714277559936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/2927620714277559936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/11/mini-conto.html' title='Mini conto'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-3220447940143228505</id><published>2008-10-23T20:20:00.001-02:00</published><updated>2008-10-23T20:20:58.080-02:00</updated><title type='text'>O amor acaba (Paulo Mendes Campos)</title><content type='html'>***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-3220447940143228505?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/3220447940143228505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=3220447940143228505&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/3220447940143228505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/3220447940143228505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/10/o-amor-acaba-paulo-mendes-campos.html' title='O amor acaba (Paulo Mendes Campos)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-3577720609360129903</id><published>2008-10-21T18:39:00.000-02:00</published><updated>2008-10-21T18:40:22.257-02:00</updated><title type='text'>recado</title><content type='html'>***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um recado. um que se foi. se foi? um pensamento:&lt;br /&gt;- não me fode, porra!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-3577720609360129903?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/3577720609360129903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=3577720609360129903&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/3577720609360129903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/3577720609360129903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/10/recado.html' title='recado'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-7113758813486098745</id><published>2008-10-16T11:09:00.002-03:00</published><updated>2008-10-16T11:13:51.857-03:00</updated><title type='text'>amanhecer em buenos aires</title><content type='html'>***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Qu9BvUfY5Ik/SPdMD9B3mxI/AAAAAAAAAAU/0qtGcNda3-8/s1600-h/S6301054.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Qu9BvUfY5Ik/SPdMD9B3mxI/AAAAAAAAAAU/0qtGcNda3-8/s320/S6301054.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257754720784063250" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-7113758813486098745?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/7113758813486098745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=7113758813486098745&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/7113758813486098745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/7113758813486098745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/10/amanhecer-em-buenos-aires.html' title='amanhecer em buenos aires'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Qu9BvUfY5Ik/SPdMD9B3mxI/AAAAAAAAAAU/0qtGcNda3-8/s72-c/S6301054.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-6691544700063336653</id><published>2008-10-16T11:03:00.002-03:00</published><updated>2008-10-21T19:43:30.993-02:00</updated><title type='text'>final de tarde em santiago</title><content type='html'>***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Qu9BvUfY5Ik/SPdKkKw8SjI/AAAAAAAAAAM/rUbbWpYEXqI/s1600-h/S6300795.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Qu9BvUfY5Ik/SPdKkKw8SjI/AAAAAAAAAAM/rUbbWpYEXqI/s320/S6300795.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257753075203721778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-6691544700063336653?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/6691544700063336653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=6691544700063336653&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/6691544700063336653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/6691544700063336653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/10/final-de-tarde-en-santiago.html' title='final de tarde em santiago'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Qu9BvUfY5Ik/SPdKkKw8SjI/AAAAAAAAAAM/rUbbWpYEXqI/s72-c/S6300795.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-1510886785616668764</id><published>2008-10-15T15:16:00.002-03:00</published><updated>2008-10-16T11:03:14.913-03:00</updated><title type='text'>outra</title><content type='html'>***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dado que o planeta Terra é um sistema fechado... se tem alguém perdendo, tem alguém ganhando???&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-1510886785616668764?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/1510886785616668764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=1510886785616668764&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/1510886785616668764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/1510886785616668764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/10/outra.html' title='outra'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-8533810193387118058</id><published>2008-10-13T18:48:00.002-03:00</published><updated>2008-10-13T18:55:37.456-03:00</updated><title type='text'>uma pergunta sobre a Bovespa</title><content type='html'>***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quão sintomático e significativo é a Bovespa fechar quando cai 10% e permanecer aberta quando sobe 10%?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-8533810193387118058?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/8533810193387118058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=8533810193387118058&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/8533810193387118058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/8533810193387118058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/10/uma-pergunta-sobre-bovespa.html' title='uma pergunta sobre a Bovespa'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-5876602359020195620</id><published>2008-10-11T09:36:00.002-03:00</published><updated>2008-10-11T09:37:56.336-03:00</updated><title type='text'>Metade</title><content type='html'>***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="315" height="80"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.ijigg.com/jiggPlayer.swf?songID=V2BDBBBPB0&amp;Autoplay=0"&gt;&lt;param name="scale" value="noscale" /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.ijigg.com/jiggPlayer.swf?Autoplay=0&amp;songID=V2BDBBBPB0" width="315" height="80"  scale="noscale" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Metade (Oswaldo Montenegro)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a força do medo que tenho&lt;br /&gt;Não me impeça de ver o que anseio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a morte de tudo em que acredito&lt;br /&gt;Não me tape os ouvidos e a boca&lt;br /&gt;Porque metade de mim é o que eu grito&lt;br /&gt;Mas a outra metade é silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a música que ouço ao longe&lt;br /&gt;Seja linda ainda que tristeza&lt;br /&gt;Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada&lt;br /&gt;Mesmo que distante&lt;br /&gt;Porque metade de mim é partida&lt;br /&gt;Mas a outra metade é saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que as palavras que eu falo&lt;br /&gt;Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor&lt;br /&gt;Apenas respeitadas&lt;br /&gt;Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos&lt;br /&gt;Porque metade de mim é o que ouço&lt;br /&gt;Mas a outra metade é o que calo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que essa minha vontade de ir embora&lt;br /&gt;Se transforme na calma e na paz que eu mereço&lt;br /&gt;Que essa tensão que me corrói por dentro&lt;br /&gt;Seja um dia recompensada&lt;br /&gt;Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso&lt;br /&gt;Que eu me lembro ter dado na infância&lt;br /&gt;Por que metade de mim é a lembrança do que fui&lt;br /&gt;Mas a outra metade eu não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que não seja preciso mais do que uma simples alegria&lt;br /&gt;Pra me fazer aquietar o espírito&lt;br /&gt;E que o teu silêncio me fale cada vez mais&lt;br /&gt;Porque metade de mim é abrigo&lt;br /&gt;Mas a outra metade é cansaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a arte nos aponte uma resposta&lt;br /&gt;Mesmo que ela não saiba&lt;br /&gt;E que ninguém a tente complicar&lt;br /&gt;Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer&lt;br /&gt;Porque metade de mim é a platéia&lt;br /&gt;A outra metade é a canção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que a minha loucura seja perdoada&lt;br /&gt;Porque metade de mim é amor&lt;br /&gt;E a outra metade também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-5876602359020195620?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/5876602359020195620/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=5876602359020195620&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/5876602359020195620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/5876602359020195620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/10/metade.html' title='Metade'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-6788550417891817239</id><published>2008-10-10T13:37:00.001-03:00</published><updated>2008-10-10T13:38:25.916-03:00</updated><title type='text'>Pensamento</title><content type='html'>***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem pensa, está fazendo alguma coisa alhures.&lt;br /&gt;(André Luiz)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-6788550417891817239?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/6788550417891817239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=6788550417891817239&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/6788550417891817239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/6788550417891817239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/10/pensamento.html' title='Pensamento'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-7510721261833503597</id><published>2008-10-09T15:41:00.002-03:00</published><updated>2008-10-09T15:42:06.465-03:00</updated><title type='text'>Bom senso</title><content type='html'>***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bom senso prevalecerá apenas depois que estiverem esgotadas todas as outras possibilidades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-7510721261833503597?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/7510721261833503597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=7510721261833503597&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/7510721261833503597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/7510721261833503597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/10/bom-senso.html' title='Bom senso'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-5366814278465481044</id><published>2008-09-22T10:53:00.004-03:00</published><updated>2008-09-22T11:01:58.298-03:00</updated><title type='text'>Não há mais tempo</title><content type='html'>...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o relógio de bolso &lt;br /&gt;de um velhinho italiano&lt;br /&gt;marca treze horas &lt;br /&gt;e quarenta e sete minutos&lt;br /&gt;e mostra para um jovem deficiente japonês&lt;br /&gt;que é hora de dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no brasil o galo canta&lt;br /&gt;e indica ao trabalhador rural&lt;br /&gt;que ele tem de levantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o empresário malaio&lt;br /&gt;que finalmente tirou o dia de folga para organizar a casa&lt;br /&gt;acabou adormecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as criancinhas sudanesas &lt;br /&gt;brincaram a tarde inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas as criancinhas queriam ser como o empresário:&lt;br /&gt;queriam ser "gente grande".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o empresário queria poder brincar&lt;br /&gt;como as criancinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o trabalhador rural &lt;br /&gt;neste exato instante &lt;br /&gt;deseja o tempo ocioso do velhinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o velhinho queria ter a vitalidade do trabalhador rural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o relógio, insatisfeito,&lt;br /&gt;só para quando a pilha acaba.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-5366814278465481044?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/5366814278465481044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=5366814278465481044&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/5366814278465481044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/5366814278465481044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/09/no-h-mais-tempo.html' title='Não há mais tempo'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-6860705513679520464</id><published>2008-08-19T16:30:00.003-03:00</published><updated>2008-08-19T17:10:20.707-03:00</updated><title type='text'>Um trechinho do "Dias e noites de amor e de guerra"</title><content type='html'>***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) A memória guardará o que valer a pena. A memória sabe de mim mais do que eu; e ela não perde o que merece ser salvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Febre de meus adentros: as cidades e as gentes, soltas da memória, navegavam para mim: terra onde nasci, filhos que fiz, homens e mulheres que me aumentaram a alma. (...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-6860705513679520464?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/6860705513679520464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=6860705513679520464&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/6860705513679520464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/6860705513679520464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/08/galeano-um-trechinho-do-dias-e-noites.html' title='Um trechinho do &quot;Dias e noites de amor e de guerra&quot;'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-718724319901577303</id><published>2008-08-16T14:49:00.002-03:00</published><updated>2008-08-17T14:39:43.494-03:00</updated><title type='text'>Largo da Concórdia</title><content type='html'>***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Largo da Concórdia. Sábado, 11h30. Um sol de rachar. Uma semi-multidão de militantes petistas, vereadores, deputados estaduais e federais e apoiadores do partido. Ouço uma voz que andava sumida, mas que agora grita num microfone, e que ecoa pelo Largo por meio dos amplificadores do carro de som. É José Genoíno, tentando animar os presentes, preparando a chegada da “futura prefeita de São Paulo”, Marta Suplicy. Um discurso de três ou quatro idéias, que ele repete sem parar por falta do que mais dizer. É aquilo de sempre: que os trabalhadores do Brás são gente do nordeste como ele, como o futuro vice-prefeito, Aldo Rebelo – que, olha, gente, acabou de chegar! – e que a Marta vai fazer mais do que já fez por São Paulo. E que ela tem o apoio do presidente Lula. O deputado interage com os passantes que se identificam com ele, e cita o nome dos políticos presentes, e faz aquele ar de homem do povo, e volta a dizer que o Zé de Abreu – lembram?, ano 2000, o sujeito que tratava Marta por “madame” nos debates, que dizia que era preciso pôr um Zé na prefeitura? -, o Zé de Abreu, nosso colega, que tem um programa na rádio não sei de onde e que ele luta sempre pelo povo do Brás. E então eu penso na assinatura de Genoíno nos contratos, e no também presente Devanir Ribeiro, aquele velho amigo da Lula, aquele da emenda da reeleição. E me pergunto se nos próximos 4 anos eles vão passar por lá, pra discursar, pra ver se a região melhora ou  piora, pra tirar foto, pra dizer um oi. Quem sabe eles aparecem para prestar contas?! Eu me pergunto em que acreditam aquelas dezenas e dezenas de pessoas que carregam bandeiras, que entregam panfletos. O que pensarão os homens das Câmaras e Assembléias e seus séqüitos quando entrarem no carro de volta pra casa.&lt;br /&gt;Então ela aparece, a “futura prefeita!” Marta Suplicy. Mal sai do carro, é sufocada pelos fãs? passantes? militantes?, que querem dar beijo, abraço, agradecer, pedir, reclamar, aconselhar. Nós, abutres da imprensa, somos levados pela semi-multidão.&lt;br /&gt;- Eu tenho a sensação de que a visão do inferno é muito parecida com essa daqui – comento com um famoso repórter.&lt;br /&gt;Ele pára, olha pra frente enquanto continua sendo levado pelo mar de gente, e pensa dois segundos, pra depois cochichar no meu ouvido:&lt;br /&gt;- É por isso que eu prefiro o crime.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-718724319901577303?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/718724319901577303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=718724319901577303&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/718724319901577303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/718724319901577303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/08/largo-da-concrdia.html' title='Largo da Concórdia'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-7169305369451505206</id><published>2008-07-07T16:28:00.000-03:00</published><updated>2008-07-07T16:32:19.260-03:00</updated><title type='text'>Luna de Avellaneda</title><content type='html'>***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Como se hace un club nuevo?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Se você não viu Luna de Avellaneda (Clube da Lua, no Brasil), vá correndo ver. Essa frase saiu deste filme, mas na verdade poderia estar sendo pronunciada por algum torcedor do Racing.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O Racing, da localidade de Avellaneda, ou simplesmente &lt;em&gt;La Academia&lt;/em&gt;. O Racing que o meu velho pai, santista de nascimento e de futebolistica paixão, que na década de 60 viu a esquadra de Pelé jogar várias vezes na Vila Belmiro, me disse não faz muito: "nessa época, meu filho, o time pra quem eu torcia na Argentina era o Racing". &lt;em&gt;La academia&lt;/em&gt; Racing.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Foi um domingo histórico. Um domingo histórico para o Racing. Porque a esquadra de Avellaneda pela segunda vez na história passa por um momento delicado. A primeira crise, há alguns anos, obrigou o clube a decretar falência. Mas a Academia nunca morre, e o clube renasceu. A segunda é agora. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Torneio Clausura 2008. Em nove rodadas o Racing havia disputado 9 partidas. Empatara 4 e perdera 5. Até este domingo, encontrava-se na zona de rebaixamento, com apenas 4 pontos ganhos em 27 disputados.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas aí então era domingo. E eu decidi ver, em Avellaneda, Racing X Arsenal de Sarandí. Arsenal que ganhou a Copa Sulamericana no ano passado, mas que esse ano não vem mantendo o bom desempenho. Arsenal que é de propriedade de nada mais nada menos do que Julio Grondona, o presidente da Associação Argentina de Futebol. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas não importavam os maus resultados, o péssimo desempenho da equipe, não importava que o adversário era a equipe de Grondona: eu levava os deuses tricolores ao estádio. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Torcia por um 1 a 0 chorado, para ver renascer a Academia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E começou o jogo. E eu entendi porque o Racing não vencera nenhuma: lhe falta padrão de jogo, qualidade técnica, jogadas ensaiadas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas começou o jogo e o Racing era só raça!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sava, o nosso limitado centroavante, fazia as vezes de pivô classico. Bola lançada pra frente, ele, de costas pro gol, ajeitava pra quem vinha de trás. De cabeça, de peito.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Bastia, nosso volante camisa 7 era um verdadeiro leão em campo. Do jeito que ele jogava, a academia poderia ter uma linha de apenas 1 homem no meio.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E então, mais ou menos aos 20 minutos do segundo tempo, enquanto em São Paulo o imperador Adriano lembrava El Pibe de Oro com La Mano de Diós, em Avellaneda Sosa, um de nossos defensores, lembrava Zico.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Porque, um minuto antes, Bastia, que depois de uma roubada de bola na intermediária adversária, partia em direção clara e reta ao gol, foi derrubado quase na meia-lua.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Na hora ouvi em minha cabeça o grito: "Rogéééério, Rogéééério!".&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A Academia Racing não tinha Rogério, não tinha Zico, mas tinha Sosa, camisa 29, que anotou 1 a 0.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E entao eu provei uma das famosas avalanches da torcida argentina, da qual, por sorte, escapei ileso.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas escapar ileso era o de menos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1 a 0, placar final, renascia a Academia. Sem tática, sem técnica, sem nada, só com muita raça. Quanta raça, Racing!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ao final do jogo, depois da fina chuva que caiu no intervalo, brilhava uma lua que, se não era uma lua cheia, era uma lua crescente bem assanhada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A Luna de Avellaneda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-7169305369451505206?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/7169305369451505206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=7169305369451505206&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/7169305369451505206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/7169305369451505206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/07/luna-de-avellaneda.html' title='Luna de Avellaneda'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-9168605731370796778</id><published>2008-04-21T22:30:00.001-03:00</published><updated>2008-04-21T22:32:03.858-03:00</updated><title type='text'>Outra poesia (com o obrigado à amiga Cris por me a ter enviado)</title><content type='html'>***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lo fatal &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dichoso el árbol, que es apenas sensitivo, &lt;br /&gt;y más la piedra dura porque esa ya no siente, &lt;br /&gt;pues no hay dolor más grande que el dolor de ser vivo, &lt;br /&gt;ni mayor pesadumbre que la vida consciente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser y no saber nada, y ser sin rumbo cierto, &lt;br /&gt;y el temor de haber sido y un futuro terror... &lt;br /&gt;Y el espanto seguro de estar mañana muerto, &lt;br /&gt;y sufrir por la vida y por la sombra y por &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lo que no conocemos y apenas sospechamos, &lt;br /&gt;y la carne que tienta con sus frescos racimos, &lt;br /&gt;y la tumba que aguarda con sus fúnebres ramos, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¡y no saber adónde vamos, &lt;br /&gt;ni de dónde venimos!...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-9168605731370796778?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/9168605731370796778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=9168605731370796778&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/9168605731370796778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/9168605731370796778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/04/outra-poesia-com-o-obrigado-amiga-cris.html' title='Outra poesia (com o obrigado à amiga Cris por me a ter enviado)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-6535569968707587396</id><published>2008-04-21T22:22:00.002-03:00</published><updated>2008-04-21T22:28:26.349-03:00</updated><title type='text'>Con mis manos</title><content type='html'>&lt;object width="315" height="80"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.ijigg.com/jiggPlayer.swf?songID=V2EFB74P0&amp;Autoplay=0"&gt;&lt;param name="scale" value="noscale" /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.ijigg.com/jiggPlayer.swf?Autoplay=0&amp;songID=V2EFB74P0" width="315" height="80"  scale="noscale" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Con mis manos (Bebe)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cuando estas, ya no estan los demas, &lt;br /&gt;cuando te vas, tengo ganas de llorar, &lt;br /&gt;perdida en el sillon de mi cuarto pienso en ti con mis manos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que hacer, no tengo ganas de salir,&lt;br /&gt;por que siempre tienes que huir &lt;br /&gt;perdia en el sillon de mi cuarto pienso en ti con mis manos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;una y otra vez dulce barbaridad&lt;br /&gt;el no controlar la forma de parar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No pienso llorar, de eso ya me canse&lt;br /&gt;Hoy voy a chillar, voy a andar con mis pies &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;laralaralaralaralalaaaaa &lt;br /&gt;laralaralaraaaaaa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;otra vez, he hecho comida para dos, &lt;br /&gt;otra vez, me ha parecido oir tu voz, &lt;br /&gt;otra vez, empiezo a deslizarme en el sillon, para darle a mi imaginacion. &lt;br /&gt;te pienso, rodeandome, &lt;br /&gt;te siento, adentrandote. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;perdia en el sillon de mi cuarto pienso en ti con mis manos. &lt;br /&gt;una y otra vez dulce barbaridad&lt;br /&gt;el no controlar la forma de parar &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no pienso llorar, de eso ya me canse, &lt;br /&gt;hoy voy a chillar, voy a andar con mis pies&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;laralaralaralara.... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cuando estas, ya no estan los demas, &lt;br /&gt;cuando te vas, tengo ganas de llorar, &lt;br /&gt;perdia en el sillon de mi cuarto pienso en ti con mis manos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-6535569968707587396?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/6535569968707587396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=6535569968707587396&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/6535569968707587396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/6535569968707587396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/04/con-mis-manos.html' title='Con mis manos'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-4473952028352797021</id><published>2008-03-02T15:59:00.000-03:00</published><updated>2008-03-02T16:00:43.201-03:00</updated><title type='text'>Amor moderno: meu orgulho atropelado pelo amor (por Margaret Meehan)</title><content type='html'>...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 23 anos, eu tinha me apaixonado por cigarros, suflê de chocolate, meu gato e (pela TV) James Franco em "Freaks and Geeks". Mas ainda não tinha experimentado um verdadeiro romance humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de passar meus anos de colégio nas laterais do amor, eu naturalmente desprezava qualquer um que estivesse dentro do jogo. Então cheguei a Nova York dois anos atrás como uma anti-romântica hipócrita que zombava das idealistas de olhar brilhante, considerava o sexo um ato impensado entre dois imbecis e tinha pena das mulheres que perdiam sua identidade e sua independência ao mergulhar naquele vazio insignificante chamado "amor".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o Trem do Amor um dia parasse na minha estação, eu pretendia caçoar dos idiotas a bordo, acenando da minha plataforma de solteira auto-suficiente enquanto eles se afastariam e se tornariam um borrão de sentimentalismo no horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então aconteceu. Numa noite de quinta-feira, enquanto eu entornava vodcas-sodas num bar do East Village, o Trem do Amor achou o caminho do meu coração de gárgula irritada. Freou junto à minha banqueta com um chiado, e ele desceu. Para minha surpresa, eu não apenas o recebi de braços abertos e com uma admiração apaixonada, como passei a sacrificar todo o meu orgulho, amor-próprio e moralidade durante nosso relacionamento de um ano. Tudo em nome do que eu mais detestava: amor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele era absurdamente bonito, quase alienígena com seus lábios grossos, olhos azuis e pele morena. E como naquela virada improvável em todo filme de Molly Ringwald ele se aproximou de mim, uma antissocial. Fiquei cativada e caí presa daquela outra idéia repulsiva reservada aos idiotas: amor à primeira vista. Conversamos sobre Hemingway e Henry Miller, e então nos beijamos apaixonadamente. Depois que ele bateu com a garrafa de cerveja no balcão e declarou "Você vai ser minha namorada!", trocamos telefones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos meses seguintes, sem a permissão de minha lógica ou o bom julgamento do meu intelecto, fiquei enlouquecida por esse músico medíocre mas encantador. Passávamos a noite toda acordados escutando Billie Holiday e Sam Cooke, andamos de mãos dadas a ponto de sentir cãibras pelo parque de Tompkins Square e admirávamos de modo nauseante cada movimento do outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele rabiscou poemas proclamando sua adoração por meu cabelo, e até por meus dentes, em vários objetos do meu quarto: o retrato de Patti Smith, o manual do meu DVD, uma garrafa de vinho vazia. Tentamos assistir "Antes do Amanhecer" várias vezes, mas sempre tínhamos de parar no meio do discurso meloso de Ethan Hawke, como se estivéssemos ansiosos demais para trocar nossas próprias histórias de traumas de infância, segredos de família e as dores de nossas existências. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele gravou canções sobre cavalos e poças de lama em um tom country choroso num gravador barato e me deu as fitas como gestos de amor. Eu as escutava sozinha, ignorando a culpa pelo meu passado de insensibilidade e arrulhando como uma pombinha idiota. Agora sentia-me próxima dos românticos franceses do final do século 19. Tinha passado de uma teimosa Holden Caulfield para uma inebriada Baudelaire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nos conhecemos, ele dormia num colchão de ar no chão da cozinha do apartamento de seu colega de banda, com a intenção de um dia alugar lugar um apartamento. Depois que ele dormiu em minha casa na primeira noite, mudou-se para meu apartamento sem perguntar, e sem eu realmente perceber. Logo senti falta da minha solidão, do conteúdo da minha geladeira e do dinheiro que eu periodicamente lhe emprestava (ele raramente tinha o suficiente para a passagem do metrô). Mas permiti que ele alimentasse seus vícios em minha casa e com meus recursos, desde que me deixasse alimentar o meu vício: ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu conservava sensatez suficiente para forçá-lo (mas não demais) a procurar um lugar para ele. E foi nessa época, em um passeio à tarde pela minha região do Brooklyn, que ele e eu passamos pelo dilapidado Greenpoint Hotel. Parecia bastante inócuo, não muito distante do rio East.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então encontramos uma reportagem de um jornal online afirmando que era um dos estabelecimentos com quartos de solteiro mais usados por prostitutas e viciados em Nova York. E ele decidiu que por US$ 100 por semana o lugar era imbatível. Talvez ele acreditasse que poderia viver seu Kerouac reprimido —o artista torturado juntando-se a um bando de vagabundos depravados para alimentar a produtividade artística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas reservas aumentaram. Eu não conseguia mais suportar suas excentricidades com humor, dizendo a mim mesma "Ele é tão livre!" ou "É bacana como ele despreza as normas sociais". Mas ainda assim decidi reprimi-las, jogando meus padrões pela janela junto com meu cinismo. O amor provara que eu estava errada: era real e estava lá, suplicando-me para apaziguá-lo por mais deploráveis que fossem as circunstâncias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois de ele mudar para o Greenpoint Hotel, tivemos uma discussão acalorada diante de um bar em Manhattan onde eu tinha comemorado meu 24º aniversário. Para ele, a humilhação de não ter dinheiro suficiente para me pagar uma cerveja superou sua obrigação de ficar e cantar "Parabéns" para mim. Quando ele terminou a única cerveja que podia pagar, saí com ele, chateada porque ele ia embora, mas tentando não ser dramática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele acendeu um cigarro, eu disse calmamente: "Estou decepcionada porque você vai embora". E ele respondeu: "Então agora você quer me fazer sentir culpado?" E lá se foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha mente saqueada pelo amor, aquela criatura maravilhosa não era apenas meu namorado, mas a própria personificação do amor; a abstração antes intangível havia se tornado uma entidade viva e respirante na qual eu podia encostar meu rosto e envolver meus braços. E eu não ia deixá-lo fugir, ainda mais no meu aniversário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então fiz o que qualquer romântica autodestrutiva faria: corri atrás dele. Em plena Avenue A, de vestido de lantejoulas e sapato de salto, correndo como um animal faminto. E quando meus saltos alcançaram as botas marrons do Amor, eu pretendia subjugá-lo. Mas errei e em vez disso me tornei uma bola de raiva enlouquecida, chutando e gritando na noite enquanto ele se afastava cada vez mais —meu idiota, meu namorado, meu amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da minha explosão ele parou de se comunicar comigo, um gesto que só aumentou minha paixão. Pela primeira vez na vida eu senti a dor esmagadora do coração; era como se meus órgãos internos estivessem inchados e pressionassem minhas costelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas dores comuns pareciam totalmente originais para mim, quase revolucionárias. Passei uma semana inteira (ou foi o que pareceu) agachada nas esquinas das ruas com as palmas das mãos voltadas para o céu, pensando coisas novas como "Ninguém jamais entenderá" e "Esta é a primeira vez na história que uma dor semelhante é sentida por um ser humano". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempos mais felizes, ele havia tocado para mim a canção "Damaged" do Primal Scream, dizendo: "Esta canção me faz amá-la tanto que eu quero morrer". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então eu cantei a letra em sua caixa postal: "Doces dias de verão quando eu me sentia tão bem, só eu e você, garota, que tempo maravilhoso. Oh, sim, eu me sentia tão feliz, minha, minha, minha", com o "minha, minha, minha" final rouco, quase um grito silencioso, para fazê-lo ter ainda mais pena de mim. Então liguei mais 17 vezes, a cada vez adorando ouvir sua voz gravada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha uma última opção: ir até o Greenpoint Hotel. Depois daquela noite terrível de ligações incessantes, acordei às 8h banhada em suor, em um pânico amoroso. Saí do apartamento e fui na minha bicicleta até a porta do cortiço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tinha me mostrado seu minúsculo apartamento uma semana antes (sob a condição de que, para minha própria segurança, eu me escondesse embaixo de um capuz e ficasse ao lado dele), e me lembrei do andar e do número do quarto. Entrei hesitante nos corredores turquesa malcheirosos e percorri um labirinto de corredores, passando por homens mal-encarados e rapazes bebendo cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prendi a respiração para evitar o fedor de água sanitária e urina enquanto subia os três andares de escadas cheias de papéis de comida, latas de cerveja, sacos de droga e gatos sem dono. Cheguei até a porta dele, na qual havia a seguinte mensagem, escrita em marcador preto: "Por favor não bata forte, sou cardíaco" (palavras aparentemente escritas pelo último inquilino, um velho que realmente morreu na mesma cama em que meu namorado dormia hoje). Sim, eu estava prestes a suplicar o amor de um homem que dormia na cama de um morto em um quarto de 2,5 x 2,5 metros, de aluguel semanal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei o punho trêmulo até a porta e bati suavemente três vezes, depois mais alto e mais forte, até que estava esmurrando como uma louca. Finalmente desisti e despenquei junto à porta em um monte de soluços. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então lá estava eu, uma garota com educação universitária e um currículo brilhante, uma família amorosa e todas as outras características incômodas de uma vida maravilhosa, tremendo no chão manchado de urina de um cortiço. E eu fazia tamanha cena que o inquilino do lado, um homem enorme de shorts rasgados, saiu de seu covil, apontou um dedo acusador para mim e gritou: "Garota, você precisa arrumar a sua cabeça". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu lentamente me recompus e me arrastei para fora do prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então meu namorado voltou para mim! Por um mês. E aí anunciou que ia me deixar por outra mulher. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu me agarrei a ele e solucei, ensopando sua camiseta branca com minhas lágrimas, batendo meus punhos em seu peito, suplicando a ele e aos deuses que nos permitissem ficar juntos. Mas de repente parei de chorar e gritei, quase confusa: "Espere. Quem quer realmente namorar você?" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu momento de clareza finalmente havia chegado. O que eu estava fazendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém poderia pensar que essa experiência me deixaria amarga para o amor e traria de volta, como vingança, minha hostilidade ao romance. Mas não. Pelo contrário, e mais uma vez negando a razão, ainda o quero muito. Ou, mais precisamente, quero aquela sensação que tudo consome. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, sou eu. Antes totalmente cínica em relação ao amor, hoje sou prisioneira dele, ou melhor, uma passageira, tendo encontrado um lugar muito confortável no Trem do Amor, lotado com outros tolos patéticos e soluçantes e prestes a partir para destinos condenados, perturbados e talvez até insalubres —onde o coração manda e a mente obedece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-4473952028352797021?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/4473952028352797021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=4473952028352797021&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/4473952028352797021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/4473952028352797021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/03/amor-moderno-meu-orgulho-atropelado.html' title='Amor moderno: meu orgulho atropelado pelo amor (por Margaret Meehan)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-683629537374268086</id><published>2008-03-01T15:11:00.004-03:00</published><updated>2008-03-02T15:54:39.979-03:00</updated><title type='text'>Mais de "As cidades invisíveis" (de Ítalo Calvino)</title><content type='html'>"(...) Neste ponto, Kublain Khan o interrompia ou imaginava interrompê-lo ou Marco Polo imaginava ser interrompido com uma pergunta como:&lt;br /&gt;- Você avança com a cabeça voltada para trás? - ou então: - o que você vê está sempre às suas costas? - ou melhor: - A sua viagem só se dá no passado?&lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;Tudo isso para que Marco Polo pudesse explicar ou imaginar explicar ou ser imaginado explicando ou finalmente conseguir explicar a si mesmo que aquilo que ele procurava estava diante de si, e, mesmo que se tratasse do passado, era um passado que mudava à medida que ele prosseguia a sua viagem, porque o passado do viajante muda de acordo com o itinerário realizado, não o passado recente ao qual cada dia que passa acrescenta um dia, mas um passado mais remoto. Ao chegar a uma nova cidade, o viajante reencontra um passado que não lembrava existir: a surpresa daquilo que você deixou de ser ou deixou de possuir revela-se nos lugares estranhos, não nos conhecidos. (...)"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-683629537374268086?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/683629537374268086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=683629537374268086&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/683629537374268086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/683629537374268086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/03/mais-de-as-cidades-e-as-trocas-de-talo.html' title='Mais de &quot;As cidades invisíveis&quot; (de Ítalo Calvino)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-994173590692677047</id><published>2008-02-15T11:00:00.002-02:00</published><updated>2008-02-15T21:35:56.928-02:00</updated><title type='text'>Oração de Mahatma Gandhi</title><content type='html'>...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ajuda-me a dizer a palavra da verdade na cara dos fortes e a não mentir para obter o aplauso dos débeis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me dás dinheiro, não tomes a minha felicidade, e se me dás forças, não tires o meu raciocínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me dás êxito, não me tires a humildade, se me dás humildade, não tires a minha dignidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ajuda-me a conhecer a outra face da realidade, e não me deixes acusar os meus adversários, apodando-os de traidores, porque não partilham o meu critério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensina-me a amar o outro como amo a mim mesmo, e a julgar-me como o faço com os outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me deixes embriagar com o êxito, quando o consigo, nem a desesperar, se fracasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobretudo, faz-me sempre recordar que o fracasso é a prova que antecede o êxito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensina-me que a tolerância é o mais alto grau da força e que o desejo de vingança é a primeira manifestação da debilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me despojas do dinheiro, deixa-me a esperança, e se me despojas do êxito, deixa-me a força de vontade para poder vencer o fracasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me despojas do dom da saúde deixa-me a graça da fé. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se causo dano a alguém, dá-me a força da desculpa, e se alguém me causa dano, dá-me a força do perdão e da clemência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Deus… Se eu me esquecer de Ti peço que Tu não Te esqueças de mim!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-994173590692677047?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/994173590692677047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=994173590692677047&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/994173590692677047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/994173590692677047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/02/orao-de-mahatma-gandhi.html' title='Oração de Mahatma Gandhi'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-2387843558025821276</id><published>2008-02-14T13:15:00.003-02:00</published><updated>2008-02-14T13:20:16.810-02:00</updated><title type='text'>Um Vargas Llosa em espanhol, porque em português não tem</title><content type='html'>...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;La señorita de Somerset &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autor: Mario Vargas Llosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La historia es tan delicada y discreta como debió serlo ella misma y tan irreal como los romances que escribió y devoró hasta el fin de sus días. Que haya ocurrido y forme ahora parte de la realidad es una conmovedora prueba de los poderes de la ficción, engañosa mentira que, por los caminos más inesperados, se vuelve un día verdad. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El principio es sorprendente y con una buena dosis de suspenso. La Sociedad de Autores de Gran Bretaña es informada, por un albacea, que una dama recién fallecida le ha legado sus bienes --400.000 libras esterlinas, unos 700.000 dólares-- a fin de que establezca un premio literario anual para novelistas menores de 35 años. La obra premiada deberá ser "una historia romántica o una novela de carácter más tradicional que experimental". La noticia llegó en el acto a la primera página de los periódicos porque el premio así creado -70.000 dólares anuales- es cuatro o cinco veces mayor que los dos premios literarios británicos más prestigiosos: el Booker-McConwell y el Whitebread.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¿Quién era la generosa donante? Una novelista, por supuesto. Pero los avergonzados directivos de la Sociedad de Autores tuvieron que confesar a los periodistas que ninguno había oído hablar jamás de Miss Margaret Elizabeth Trask. Y, a pesar de sus esfuerzos, no habían podido encontrar en las librerías de Londres uno solo de sus libros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sin embargo, Miss Trask publicó más de cincuenta "historias románticas" a partir de los años treinta, con un nombre de pluma que acortaba y aplebeyaba ligeramente el propio: Betty Trask. Algunos de sus títulos sugieren la naturaleza del contenido: Vierto mi corazón, Irresistible, Confidencias, Susurros de primavera, Hierba amarga. La última apareció en 1957 y ya no quedan ejemplares de ellas ni en las editoriales que las publicaron ni en la agencia literaria que administró los derechos de la señorita Trask. Para poder hojearlas, los periodistas empeñados en averiguar algo de la vida y la obra de la misteriosa filántropo de las letras inglesas tuvieron que sepultarse en esas curiosas bibliotecas de barrio que, todavía hoy, prestan novelitas de amor a domicilio por una módica suscripción anual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De este modo ha podido reconstruirse la biografía de esta encantadora Corín Tellado inglesa, que, a diferencia de su colega española, se negó a evolucionar con la moral de los tiempos y en 1957 colgó la pluma al advertir que la distancia entre la realidad cotidiana y sus ficciones se anchaba demasiado. Sus libros, que tuvieron muchos lectores, a juzgar por la herencia que ha dejado, cayeron inmediatamente en el olvido, lo que parece haber importado un comino a la evanescente Miss Trask, quien sobrevivió a su obra por un cuarto de siglo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lo más extraordinario en la vida de Margaret Elizabeth Trask, que dedicó su existencia a leer y escribir sobre el amor, es que no tuvo en sus 88 años una sola experiencia amorosa. Los testimonios son concluyentes: murió soltera y virgen, de cuerpo y corazón. Los que la conocieron hablan de ella como de una figura de otros tiempos, un anacronismo victoriano o eduardiano perdido en el siglo de los hippies y los punks.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Su familia era de Frome, en Somerset, industriales que prosperaron con los tejidos de seda y la manufactura de ropa. Miss Margaret tuvo una educacismis libros, aunque de manera más ón cuidadosa, puritana, estrictamente casera. Fue una jovencita agraciada, tímida, de maneras aristocráticas, que vivió en Bath y en el barrio más encumbrado de Londres: Belgravia. Pero la fortuna familiar se evaporó con la muerte del padre. Esto no perjudicó demasiado las costumbres, siempre frugales, de la señorita Trask. Nunca hizo vida social, salió muy poco, profesó una amable alergia por los varones y jamás admitió un galanteo. El amor de su vida fue su madre, a la que cuidó con devoción desde la muerte del padre. Estos cuidados y escribir "romances", a un ritmo de dos por año, completaron su vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hace 35 años las dos mujeres retornaron a Somerset y, en la localidad familiar, Frome, alquilaron una minúscula casita, en un callejón sin salida. La madre murió a comienzos de los años sesenta. La vida de la espigada solterona fue un enigma para el vecindario. Asomaba rara vez por la calle, mostraba una cortesía distante e irrompible, no recibía ni hacía visitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La única persona que ha podido hablar de ella con cierto conocimiento de causa es el administrador de la biblioteca de Frome, a la que Miss Trask estaba abonada. Era una lectora insaciable de historias de amor aunque también le gustaban las biografías de hombres y mujeres fuera de lo común. El empleado de la biblioteca hacía un viaje semanal a su casa, llevando y recogiendo libros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Con los años, la estilizada señorita Margaret comenzó a tener achaques. Los vecinos lo descubrieron por la aparición en el barrio de una enfermera de la National Health que, desde entonces, vino una vez por semana a hacerle masajes. (En su testamento, Miss Trask ha pagado estos desvelos con la cauta suma de 200 libras). Hace cinco años, su estado empeoró tanto que ya no pudo vivir sola. La llevaron a un asilo de ancianos donde, entre las gentes humildes que la rodeaban, siguió llevando la vida austera, discreta, poco menos que invisible, que siempre llevó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Los vecinos de Frome no dan crédito a sus ojos cuando leen que la solterona de Oakfield Road tenía todo el dinero que ha dejado a la Sociedad de Autores, y menos que fuera escritora. Lo que les resulta aún más imposible de entender es que, en vez de aprovechar esas 400.000 libras esterlinas para vivir algo mejor, las destinara ¡a premiar novelas románticas! Cuando hablan de Miss Trask a los reporteros de los diarios y la televisión, los vecinos de Frome ponen caras condescendientes y se apenan de lo monótona y triste que debió ser la vida de esta reclusa que jamás invitó a nadie a tomar el té. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Los vecinos de Frome son unos bobos, claro está, como lo son todos a quienes la tranquila rutina que llenó los días de Margaret Elizabeth Trask merezca compasión. En verdad, Miss Margaret tuvo una vida maravillosa y envidiable, llena de exaltación y de aventuras. Hubo en ella amores inconmensurables y desgarradores heroísmos, destinos a los que una turbadora mirada desbocaba como potros salvajes y actos de generosidad, sacrificio, nobleza y valentía como los que aparecen en las vidas de santos o los libros de caballerías.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La señorita Trask no tuvo tiempo de hacer vida social con sus vecinas, ni de chismorrear sobre la carestía de la vida y las malas costumbres de los jóvenes de hoy, porque todos sus minutos estaban concentrados en las pasiones imposibles, de labios ardientes que al rozar los dedos marfileños de las jovencitas hacen que estas se abran al amor como las rosas y de cuchillos que se hunden con sangrienta ternura en el corazón de los amantes infieles. ¿Para qué hubiera salido a pasear por las callecitas pedregosas de Frome, Miss Trask? ¿Acaso hubiera podido ese pueblecito miserablemente real ofrecerle algo comparable a las suntuosas casas de campo, a las alquerías remecidas por las tempestades, a los bosques encabritados, las lagunas con mandolinas y glorietas de mármol que eran el escenario de esos acontecimientos de sus vigilias y sueños? Claro que la señorita Trask evitaba tener amistades y hasta conversaciones. ¿Para qué hubiera perdido su tiempo con gentes tan banales y limitadas como las vivientes? Lo cierto es que tenía muchos amigos; no la dejaban aburrirse un instante en su modesta casita de Oakfield Road y nunca decían nada tonto, inconveniente o chocante. ¿Quién, entre los carnales, hubiera sido capaz de hablar con el encanto, el respeto y la sabiduría con que musitaban sus diálogos, a los oídos de Miss Trask, los fantasmas de las ficciones? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La existencia de Margaret Elizabeth Trask fue seguramente más intensa, variada y dramática que la de muchos de sus contemporáneos. La diferencia es que, ayudada por cierta formación y una idiosincrasia particular, ella invirtió los términos habituales que suelen establecerse entre lo imaginario y lo experimentado -lo soñado y lo vivido- en los seres humanos. Lo corriente es que, en sus atareadas existencias, estos "vivan" la mayor parte del tiempo y sueñen la menor. Miss Trask procedió al revés. Dedicó sus días y sus noches a la fantasía y redujo lo que se llama vivir a lo mínimamente indispensable. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¿Fue así más feliz que quienes prefieren la realidad a la ficción? Yo creo que lo fue. Si no ¿por qué hubiera destinado su fortuna a fomentar las novelas románticas? ¿No es esta una prueba de que se fue al otro mundo convencida de haber hecho bien sustituyendo la verdad de la vida por las mentiras de la literatura? Lo que muchos creen una extravagancia -su testamento- es una severa admonición contra el odioso mundo que le tocó y que ella se las arregló para no vivir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-2387843558025821276?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/2387843558025821276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=2387843558025821276&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/2387843558025821276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/2387843558025821276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/02/um-vargas-llosa-em-espanhol-porque-em.html' title='Um Vargas Llosa em espanhol, porque em português não tem'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-2298433905603191582</id><published>2008-02-13T14:05:00.000-02:00</published><updated>2008-02-13T14:07:25.423-02:00</updated><title type='text'>Como eliminar um amante (do Xico Sá)</title><content type='html'>...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;COMO ELIMINAR UM AMANTE &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor aflito me escreve. Quer ajuda, conselhos, alguma filosofia de consolação, ombro, ouvidos... Qualquer adjutório serve. Uma alma penada. Ainda mais no apagar das luzes do ano velho, quando a vida veste os seus bicos e babados mais bregas e sentimentalóides. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia aposentado a Miss Corações Solitários que acode as vítimas dos infortúnios e tsunamis do amor. Diante do apelo do amigo, não há como deixá-lo a mascar o jiló do abandono neste “já vai tarde” de 2006. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está desconsolado, como o Sizenando de Rubem Braga, que viu a amada cair nos braços de um playboy. Um idiota que não sabia sequer uma palavra de esperanto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é triste, Sizenando, como soprou-lhe o cronista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com Amaro, chamemos assim o nosso ensaio de Bentinho, não foi diferente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis o destino parafusar-lhe objetos pontiagudos à testa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, ela tem um amante. Daqueles amantes que se encontram à tarde, num intervalo qualquer, no recreio da vida chata. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem foi preciso contratar o detive particular, conta-me o nosso Amaro. Ele mesmo fez as vezes de cão farejador de sua própria desgraça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que fazer?, indaga, num email no qual até a arroba bóia em poças de lágrimas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mato o desgraçado? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiro a vida da desalmada? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou-me embora pra Tegucigalpa? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salto mortal da ponte Buarque de Macedo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um trágico, esse rapaz. Como os de antigamente. Amaro é do tempo em que os homens coravam. Ainda tenho vergonha na cara, envaidece-se o próprio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sossega, Amaro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor que fazes, respondi ao marido em fúria, é sumir por uns dias, inventar uma viagem, e dar todo tempo do mundo ao infeliz desse amante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Banalizar o amante, meu caro e bom Amaro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendeste? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixar que eles durmam e acordem juntos. Que tenham seus problemas, que percam o luxo dos encontros fortuitos e vespertinos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É necessário deixar a Bovary sentir o bafo matinal da rotina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida dos amantes dura porque eles só vivem as surpresas e valorizam cada minuto do relógio que põem sobre a cabeceira daquele motel barato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada mais cruel para o amante da tua mulher que presenteá-lo com o pão-com-manteiga do dia-a-dia. A rotina é o cavalo de tróia do amor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amaro, nada de violência ou besteiras desse naipe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao amante, todas as chances do mundo. Ao amante aquela D.R., a famosa discussão de relação, em plena TPM. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amante nunca sabe o que venha ser uma mulher sob o domínio da TPM. Ela faz questão de reservar todos os direitos desse ciclo ao pobre marido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao amante, Amaro, a tapioca fria e sem recheio da rotina do calendário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao amante, Amaro, a falta de assunto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao amante, os cabelos revoltos da mulher, naqueles dias em que nem mesmo ela se agüenta ou encara o espelho. Naqueles dias em que os cabelos brigam com as leis do cosmo e não há pente ou diabo que dê jeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Some, Amaro, depois me conta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-2298433905603191582?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/2298433905603191582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=2298433905603191582&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/2298433905603191582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/2298433905603191582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/02/como-eliminar-um-amante-do-xico-s.html' title='Como eliminar um amante (do Xico Sá)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-5328854704796830788</id><published>2008-02-13T00:03:00.000-02:00</published><updated>2008-02-13T00:05:28.156-02:00</updated><title type='text'>I try (Macy Gray)</title><content type='html'>&lt;object width="315" height="80"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.ijigg.com/jiggPlayer.swf?songID=V2BC7EGPAD&amp;Autoplay=0"&gt;&lt;param name="scale" value="noscale" /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed 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a prisoner of your love&lt;br /&gt;And I may seem all right and smile when you leave&lt;br /&gt;But my smiles are just a front&lt;br /&gt;Just a front, hey&lt;br /&gt;I play it off, but I'm dreaming of you&lt;br /&gt;I'll keep my cool, but I'm feigning&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I try to say goodbye and I choke&lt;br /&gt;Try to walk away and I stumble&lt;br /&gt;Though I try to hide it, it's clear&lt;br /&gt;My world crumbles when you are not near&lt;br /&gt;Goodbye and I choke&lt;br /&gt;I try to walk away and I stumble&lt;br /&gt;Though I try to hide it, it's clear&lt;br /&gt;My world crumbles when you are not near&lt;br /&gt;Here is my confession&lt;br /&gt;May I be your possession&lt;br /&gt;Boy, I need your touch&lt;br /&gt;Your love kisses and such&lt;br /&gt;With all my might I try&lt;br /&gt;But this I can't deny&lt;br /&gt;Deny&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I play it off, but I'm dreaming of you&lt;br /&gt;(but I'm dreaming of you babe)&lt;br /&gt;I'll keep my cool, but I'm feigning&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I try to say goodbye and I choke (yeah)&lt;br /&gt;Try to walk away and I stumble&lt;br /&gt;Though I try to hide, it's clear&lt;br /&gt;My world crumbles when you are not near&lt;br /&gt;(when you are not near aahh)&lt;br /&gt;Goodbye and I choke (yeah, yeah, yeah)&lt;br /&gt;I try to walk away and I stumble (hey, hey, hey)&lt;br /&gt;Though I try to hide it, it's clear (sick of love)&lt;br /&gt;My world crumbles when you are not near (your love, kisses and) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Goodbye and I choke (I'm choking)&lt;br /&gt;I try to walk away and I stumble&lt;br /&gt;Though I try to hide it, it's clear&lt;br /&gt;My world crumbles when you are not near&lt;br /&gt;(when you are not there, yeah, yeah yeah)&lt;br /&gt;Yeah, yeah..&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-5328854704796830788?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/5328854704796830788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=5328854704796830788&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/5328854704796830788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/5328854704796830788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/02/i-try-macy-gray.html' title='I try (Macy Gray)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-1996048095457633453</id><published>2008-02-09T13:56:00.000-02:00</published><updated>2008-02-09T13:58:05.148-02:00</updated><title type='text'>"Amor moderno: a experiência de um casamento aberto" (por Colette DeDonato, moradora de Oregon, nos EUA)</title><content type='html'>...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um elegante pub na nossa cidade no Noroeste, uma das mães sentadas na nossa mesa fez uma grave confissão: ela nos disse que estava tendo uma atração muito séria por um homem que não era seu marido. E essa atração a perturbava. Além de se sentir culpada, isso também a deixava insegura quanto ao status do seu casamento. Enquanto ela falava, manchas vermelhas se formaram em torno do seu pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo nova na cidade e ainda mais nova nessa tradição de saídas noturnas num grupo de mulheres, eu tinha pouco a ver com o relacionamento e me senti à vontade de questioná-la sobre a possível indiscrição. Eu estava já na metade da minha segunda taça de pinot noir, de estômago praticamente vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não parece ser muito realista ser atraída por uma única pessoa pelo resto da vida, não é?", eu disse, na esperança de deixá-la à vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não, não parece", ela disse. "Mas o fato de continuar a buscar desculpas para encontrar-me com esse homem me leva a colocar em dúvida meus motivos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quais são seus motivos?", indaguei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha pergunta caiu no silêncio. Ou ela não sabia ou não conseguiu formular uma resposta. Então, todas nós rapidamente preenchemos o vazio falando de diferentes pessoas pelas quais tivemos atração: o rapaz que traz nosso leite de soja todas as manhãs, o político famoso da cidade, o alfaiate obviamente gay, o colega de faculdade de um sobrinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase todas concordamos que era ok "curtir" alguém, e até mesmo contar ao nosso parceiro ou marido (ou ao terapeuta de casais) sobre isso, num esforço de ser honesto e portanto madura, em nossos relacionamentos. A conclusão não verbalizada foi que não é certo entrar em ação quanto a isso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da minha atitude geral de aceitação, quando se trata de uma pessoa em dúvida quanto às suas emoções mais problemáticas, eu aprendi a tratar com sensibilidade os temas associados de fidelidade e monogamia. Minha experiência diz que esse é um campo minado e ninguém, à exceção dos exibicionistas inspirados pelo programa de entrevistas do Dr. Phil e os polígamos assumidos estão preparados para falar abertamente a esse respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pertenço a nenhum desses grupos. Mas, para ser justa, eu aposto em "poliamor"*. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na faculdade, quando o meu então namorado - um tipo atencioso e sensível, anarquista e artista performático - anunciou que queria conhecer outras pessoas porque a monogamia era "uma construção burguesa", eu continuei com ele relutantemente, durante um ano, acreditando ter demolido o paradigma dominante, o que era o certo a fazer, do ponto de vista da contracultura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que isso fez por mim, principalmente, foi deixar-me paranóica quanto a contrair uma doença sexualmente transmissível, apesar de praticarmos sexo seguro. Eu comecei a imaginar que cada uma das mulheres que eu encontrava no nosso círculo de amigos era aquela com a qual ele havia estado umas poucas horas antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu respeito por ele foi diminuindo, uma vez que eu encarava sua necessidade de encontrar com outras mulheres menos uma postura política do que simplesmente seu excessivo interesse pelo sexo combinado com uma falta de controle sobre seus impulsos. Acabamos nos separando e eu procurei alguém que quisesse um relacionamento à moda antiga. A sobrecarga emocional exigida pelo fato de ser "poli" era simplesmente desgastante demais, consumindo a energia da qual eu precisava para a faculdade e dois empregos. De qualquer forma, não vi nenhum benefício: os homens com os quais eu discutia a idéia ficavam simplesmente desnorteados com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, quando encontrei o homem com o qual eu queria viver a minha vida, e começamos a falar sobre casamento, discutimos nossas preocupações com o fato de assinar algo que tinha uma taxa de fracasso de quase 50%. Nós queríamos acreditar no casamento como uma opção viável, sem sermos logrados pelas expectativas de contos de fadas em relação a ele. Conheço pessoas que se casaram três ou quatro vezes, e isso sempre me faz indagar: por que caminhar em direção ao altar, fazendo as mesmas promessas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Historicamente, é claro, o casamento era um arranjo de negócios, com a infidelidade (pelo menos para os homens) sendo uma desculpa aceitável. Foi só a partir do século 18 que o amor conquistou credibilidade como motivo para um casamento. E agora, no século 21, o casamento deveria representar tudo tanto para o marido como para a mulher - amor, companheirismo, família e trabalho - supostamente uma resposta única para todas as necessidades emocionais e sexuais de um casal, durante 40, 50 e até mesmo 60 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Céticos quanto a acreditar em promessas tão grandiosas, nós encaramos o casamento de mente aberta, sabendo que nos amávamos e confiávamos um no outro e que estávamos determinados a ser honestos, custasse o que custasse, mesmo se isso significasse admitir que poderíamos, ocasionalmente, nos sentir atraídos por outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sublimação de nossos desejos mais profundos nos parecia uma receita para a obsessão e decepção. Estávamos apenas tentando ser sensatos em relação a uma instituição que sempre consideramos um tanto quanto hipócrita, e que fazia mais sentido quando a expectativa de vida era de 43 anos e quando, do ponto de vista financeiro, era preciso tomar conta das mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, anos depois de nosso casamento, quando uma boa amiga me disse que tinha atração pelo meu marido (e eu calculei que o interesse dele na carreira de fotografia dela havia evoluído mais pelo interesse de ver todas as tatuagens dela), percebi que todas as nossas teorias sobre o que torna uma parceria de vida bem sucedida estavam prestes a enfrentar seu teste prático na vida real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não me senti particularmente ameaçada por esta amiga. Confiei nela e jamais a imaginei como uma mulher pela qual meu marido me abandonaria. Na verdade, nunca pensei que me abandonaria, ponto final. Ponderei que uma vez que pudéssemos ser tão abertos um com o outro, nosso casamento realmente seria invencível. E se eu precisaria dar aos dois a permissão para "explorar seus sentimentos", isso também me daria a possibilidade de analisar os sentimentos que desenvolvi por um colega de trabalho. Todos nós daríamos pequenos passos - nada de extraordinário - e veríamos se as coisas se encaminhavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de imediato nos vimos à frente de questões logísticas. Se meu marido estivesse fora com ela, o que eu deveria fazer? Será que eu precisava planejar para que o tempo passado com meu colega coincidisse com o tempo que ele passaria com ela? Será que eu e meu marido precisaríamos contar um para o outro todas as vezes que planejamos passar algum tempo com a outra pessoa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas regras sensatas teriam sido de grande ajuda, mas sem saber como cada um dos relacionamentos iria evoluir, não sabíamos como estabelecê-las. Parecia estranho e pretensioso negociar regras para relacionamentos e situações que eram desconhecidas e imprevisíveis. Então, quais deveriam ser os limites? Podia-se beijar? Mais que isso?&lt;br /&gt;Nós sabíamos que entre as opções não estava mentir. Concordamos que mentir é o que leva a "enganar", causando sofrimento e desconfiança e provocando danos reais ao relacionamento. Mas de uma forma sensata, o quanto de verdade nós poderíamos enfrentar? Eu não tinha muita certeza do quanto que eu realmente queria saber sobre o que eles estavam fazendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu que ele não precisou se preocupar comigo. Meu flerte acabou rapidamente, ante o peso do desconforto moral de meu amigo. Após alguns almoços, ele foi ficando cada vez menos tranqüilo quanto à zona cinza na qual estava entrando. Houve uma noite de sushi e coquetéis, mas era eu que estava me sentindo culpada, então decidi voltar para casa, assim meu marido não ficaria me esperando preocupado. No dia seguinte, meu colega me disse que ele não sairia mais. Seus amigos haviam dado conselhos contra essa situação e ele não queria sair machucado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, a minha boa amiga e o meu marido continuaram a se divertir tirando fotos e indo ao apartamento dela para revelá-las e continuar com o meigo namorico. Então, uma noite, quando ficou tarde demais para que eu continuasse tranqüila esperando, ele telefonou para dizer que não conseguia dar a partida na nossa perua Volvo. Eu sabia que o nosso carro era temperamental, mas não consegui escapar de uma ansiosa dúvida: será que ele estava mentindo sobre o carro, só para passar a noite com ela? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo, para mim, foi o ponto de ruptura. Não importa se ele estava dizendo a verdade. Eu duvidei dele, de qualquer forma, portanto o resultado foi o mesmo. Depois percebi que não consegui enfrentar a idéia de que os dois passassem a noite juntos, dormindo na mesma cama, mesmo em um arranjo Bert e Ernie (personagens do programa infantil "Vila Sésamo"). Minha imaginação estava à toda. Senti como se estivesse implodindo.&lt;br /&gt;Mas o que eu estava esperando? Que passar a noite com ela o faria voltar correndo para mim? Essa honestidade superaria quaisquer sensações de posse ou mágoa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Várias brigas e dez sessões de terapia mais tarde, nós agradecemos um ao outro por permitir na nossa vida esse tipo de safári romântico criativo, mas nos comprometemos a jamais fazer isso outra vez. Não estávamos entediados um com o outro. E apesar dos nossos conceitos ostensivamente progressistas a respeito de casamento, não éramos impermeáveis à vasta gama de emoções humanas - raiva, ciúme, medo de ser abandonado - que tendem a vir à tona quando cruzamos as fronteiras do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se pode imaginar, a boa amiga e eu não continuamos boas amigas. Aquele elo era o mais fraco, como se demonstrou. Ela e eu tentamos várias vezes falar sobre o assunto na esperança de preservar a amizade, mas finalmente concordamos que uma vez que a porta ficara aberta, entraram moscas demais que acabaram com o ambiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu conheci muitas pessoas que tiveram casamentos abertos muito bem-sucedidos, e admiro suas intenções - de algumas, pelo menos. É preciso querer ir longe para embarcar nessa gangorra emocional e isso exige muita coragem. Você precisa se comprometer em explicar cada uma das normas e propostas com grande clareza e com muito detalhamento. Simplesmente não dá para passar por cima dos enunciados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao pub, a noite das mulheres estava terminando, e eu me ofereci para acompanhar a autora da confissão até a casa dela. Não falei das minhas experiências. Em vez disso, eu perguntei qual o significado de casamento, para ela. Ela conseguiria deixar de lado as "regras" e suas expectativas o necessário para pelo menos estar bem com tudo que estava sentindo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não sabia, mas concordamos que ter uma atração por alguém traz uma dose de adrenalina muito necessária. Significa que alguém está tratando você como seu marido fazia há "taaanto" tempo; olhando nos seus olhos sem tentar saber se você lavou sua camisa favorita, ou pagou a hipoteca no prazo, ou ainda se é a sua mãe. Olhar para você sem nada além de paixão e a sensação de possibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje à noite, vou tentar olhar para o meu marido dessa forma. Provavelmente ele estará assistindo um de seus programas favoritos, "Amor Imenso". E se for o caso, eu assistirei com ele e vamos rir dos mesmos diálogos. Nós adoramos rir junto. Isso nos mantém sãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Nota da tradutora: "polyamory", termo utilizado para definir relações interpessoais amorosas que repudiam a monogamia como princípio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-1996048095457633453?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/1996048095457633453/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=1996048095457633453&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/1996048095457633453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/1996048095457633453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/02/amor-moderno-experincia-de-um-casamento.html' title='&quot;Amor moderno: a experiência de um casamento aberto&quot; (por Colette DeDonato, moradora de Oregon, nos EUA)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-2903378144537020657</id><published>2008-02-09T02:01:00.001-02:00</published><updated>2008-02-09T14:07:32.194-02:00</updated><title type='text'>Dois trechos de "O amor nos tempos do cólera" (de Garcia Márquez)</title><content type='html'>...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Chegou a reconhecê-la no tumulto através das lágrimas da dor que jamais se repetiria de morrer sem ela, e a olhou pela última vez para todo o sempre com os mais luminosos, mais tristes e mais agradecidos olhos que ela jamais vira no rosto dele em meio século de vida em comum, e ainda conseguiu dizer-lhe com o último alento:&lt;br /&gt;- Só Deus sabe o quanto amei você."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Rogou a Deus que lhe concedesse ao menos um instante para que ele não partisse sem saber quanto o amara por cima das dúvidas de ambos e sentiu a premência irresistível de começar a vida com ele outra vez desde o começo para que se dissessem tudo que tinham ficado sem dizer, e fizessem bem qualquer coisa que tivessem feito mal no passado."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-2903378144537020657?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/2903378144537020657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=2903378144537020657&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/2903378144537020657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/2903378144537020657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/02/dois-trechos-de-o-amor-nos-tempos-do.html' title='Dois trechos de &quot;O amor nos tempos do cólera&quot; (de Garcia Márquez)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-140095635563061723</id><published>2008-02-07T20:15:00.001-02:00</published><updated>2008-02-07T20:18:48.037-02:00</updated><title type='text'>Mais um pensamento</title><content type='html'>...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Qué fácil es ser bueno. Lo difícil es ser justo."&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Javert&lt;/em&gt;, em "Les miserables", de Victor Hugo, ao advertir, segundo Vargas Llosa, em "La tentación de lo imposible", "que el bien y el mal no son algo rigidamente separado y reconocible, sino caminos que se cruzan y descruzan y as veces se pierden el uno del otro sin que sea posible dinstiguirlos".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-140095635563061723?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/140095635563061723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=140095635563061723&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/140095635563061723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/140095635563061723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/02/mais-um-pensamento.html' title='Mais um pensamento'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-7583233252637072746</id><published>2008-02-07T20:05:00.000-02:00</published><updated>2008-02-07T20:07:04.882-02:00</updated><title type='text'>Um mundo tecnaholic</title><content type='html'>...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A tecnologia que nos isola &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Thomas L. Friedman &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei numa noite dessas ao Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, e fui recebido por um motorista enviado por um amigo. O motorista segurava uma placa com meu nome, mas, ao me aproximar, notei que ele falava sozinho animadamente. Quando cheguei mais perto, percebi que ele levava um daqueles telefones sem fio preso à orelha e estava absorto na conversa. Apontei para mim mesmo como a pessoa que ele deveria receber. Ele acenou com a cabeça e continuou conversando com seu interlocutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando minha bagagem chegou, peguei-a da esteira; ele apontou para a saída, sem parar de falar, e o acompanhei. Quando entramos no carro, perguntei: 'Você sabe qual é o meu hotel?' Ele respondeu: 'Não.' Mostrei-lhe o endereço e ele voltou a falar ao telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que o carro começou a andar, percebi que havia um filme em exibição na tela do painel, que normalmente exibe o mapa GPS. Notei isso porque, entre seu falatório ao telefone e o filme, mal podia me concentrar. Ai de mim - eu estava no banco de trás tentando terminar um artigo em meu laptop. Depois de escrever tudo o que pude, peguei meu iPod e escutei um álbum de Stevie Nicks, enquanto ele continuou falando, dirigindo e assistindo ao filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao chegar ao meu hotel, refleti sobre nossa viagem: o motorista e eu estivéramos juntos por uma hora, fazendo, ao todo, seis coisas diferentes. Ele dirigiu, falou ao telefone e assistiu a um vídeo. Eu peguei carona, trabalhei em meu laptop e ouvi meu iPod. Só não fizemos uma coisa: falar um com o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pena. Ele devia ter muito a me dizer. Quando contei tudo isso a meu amigo Alain Frachon, um editor do Le Monde, ele gracejou: 'Aposto que a era dos correspondentes estrangeiros citando motoristas de táxi acabou. O motorista de táxi está muito ocupado para nos dar uma declaração!' Alain está certo. Vocês conhecem a velha história: 'Como meu motorista de táxi parisiense me disse sobre as eleições francesas...' Bem, podem esquecer essas colunas que começavam assim. Meu motorista estava ocupado demais para dizer oi, mais ainda para opinar sobre política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto essa história porque ilustra algo que venho sentindo cada vez mais ultimamente - que a tecnologia nos divide tanto quanto nos une.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, a tecnologia pode fazer o distante parecer próximo. Mas também pode fazer o que está perto parecer muito distante. Pelo que sei, meu motorista estava falando com os pais. Que maravilha! Mas isso significou a total ausência de diálogo entre nós dois. E estávamos a meio metro um do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando relatei o acontecimento a Linda Stone, a tecnóloga que batizou a doença da era da internet de 'atenção parcial contínua' - duas pessoas fazendo seis coisas e dando atenção apenas parcial uma à outra -, ela observou: 'Somos tão acessíveis que chegamos a nos tornar inacessíveis.'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conseguimos encontrar o botão de 'desliga' em nossos aparelhos e em nós mesmos. Queremos usar um iPod não apenas para ouvir nossas músicas, mas também para bloquear o resto do mundo e nos proteger de todo aquele ruído. Estamos em todo lugar - menos no lugar onde realmente estamos fisicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CELULAR E IPOD&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um mês, estive em São Francisco e saí para uma caminhada. Estava parado num cruzamento com sinal, esperando para atravessar a rua, quando um homem praticando corrida e usando seu iPod apareceu a meu lado. Assim que o sinal abriu, ele disparou pela faixa de pedestres. Mas uma mulher num carro - cruzando um sinal amarelo - quase o atropelou antes de brecar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher segurava um telefone celular na orelha direita e dirigia com a mão esquerda. Pensei comigo que acabara de testemunhar a primeira notícia local pós-moderna e vislumbrei a chamada: 'Uma mulher dirigindo seu carro enquanto falava ao telefone celular atropelou um homem correndo pela rua enquanto ouvia seu iPod. Ver página 6.' Certo, eu adoro ter muitos contatos e conectividade, mas, quando tantas pessoas que conhecemos - e muitas mais que não conhecemos - podem fazer contato conosco por e-mail ou celular, sinto-me esmagado nesta era da interrupção. Eu era muito mais dinâmico quando só podia fazer uma coisa de cada vez. Sei que não estou sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há poucas semanas, eu tentava encontrar meu amigo Yaron Ezrahi em Jerusalém. Ligava para seu celular e não obtinha resposta. Acabei por encontrá-lo em casa. 'Yaron, o que há de errado com seu telefone celular?', perguntei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'Foi roubado há alguns meses', respondeu ele, acrescentando que decidira não adquirir outro, pois os toques das chamadas do aparelho atrapalhavam constantemente sua concentração. 'Desde então, a primeira coisa que faço de manhã é agradecer ao ladrão e desejar-lhe vida longa.'&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-7583233252637072746?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/7583233252637072746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=7583233252637072746&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/7583233252637072746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/7583233252637072746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/02/um-mundo-tecnaholic.html' title='Um mundo tecnaholic'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-5452645829970438789</id><published>2008-02-07T19:54:00.000-02:00</published><updated>2008-02-07T23:47:39.635-02:00</updated><title type='text'>A gente se vê (do Xico Sá)</title><content type='html'>...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A gente se vê.” Pronto, phodeu, eis a senha para o nunca mais, o “never more” do corvo do tio Edgar A. Poe.&lt;br /&gt;A gente se vê. Corta para uma multidão no viaduto do Chá. &lt;br /&gt;A gente se vê. Corta para uma saída de estádio lotado em dia de decisão do campeonato. &lt;br /&gt;A gente se vê. Corta para “onde está Wally”.&lt;br /&gt;Nada mais detestável de ouvir do que essa maldita frase. Logo depois a porta bate e nem por milagre.&lt;br /&gt;Jovens mancebos, evitem essa sentença mais sem graça. Raparigas em flor, esqueçam, esqueçam.&lt;br /&gt;Melhor dizer logo que vai comprar cigarro, o velho king size filtro do abandono. Melhor dizer que vai pra nunca mais. Melhor o silêncio, o telefone na caixa postal, o telefone desligado, o desprezo propriamente dito, o desprezo on the rock´s.&lt;br /&gt;A gente se vê uma ova. Seja homem, torque de palavras, use o código do bom-tom e da decência. A gente se vê é a mãe, ora, ora.&lt;br /&gt;Como canta o Rei, use a inteligência uma vez só.&lt;br /&gt;Esse “a gente se vê” deveria ser proibido por lei. Constar nos artigos constitucionais, ser crime inafiançável no Código Penal.&lt;br /&gt;A gente se vê é pior do que a gente se esbarra por ai. Pior do que deixar ao acaso, que jamais abolirá a saudade, que vira uma questão de azar e sorte.&lt;br /&gt;Melhor dizer logo “foi bom, meu bem, mas não te quero mais”. YO NO TE QUIERO MAS, como na bela camiseta mexicana da Theodora de R.W. Dizer foi bom meu bem e pronto, ficamos por aqui, assim é a vida, sempre mais para curta do que longa-metragem.&lt;br /&gt;A gente se vê é a bobeira-mor dos tempos do amor líquido e do sexo sem compromisso. A gente se vê é a vovozinha, ora!&lt;br /&gt;Seja homem, diga na lata. &lt;br /&gt;Não engane a moça, que a nega é fino trato, que não merece desdém. &lt;br /&gt;A fila anda, jogue limpo.&lt;br /&gt;A gente se vê. Corta para uma multidão no show do Rolling Stones. A gente se vê. A gente se vê. Corta para a festa do Círio de Nazaré. A gente se vê. Corta para a festa do Morro da Conceição. A gente se vê. Corta para o dia de Iemanjá em Salvador. A gente se vê. Corta para o reveillon na praia de Copacabana.&lt;br /&gt;A gente se vê. Então aproveita e vai ver se eu já estou na esquina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nota do blog:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sensacional a frase "desprezo on the rocks"!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-5452645829970438789?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/5452645829970438789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=5452645829970438789&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/5452645829970438789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/5452645829970438789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/02/gente-se-v-do-xico-s.html' title='A gente se vê (do Xico Sá)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-6532350007319084325</id><published>2008-02-07T01:57:00.000-02:00</published><updated>2008-02-07T23:48:45.548-02:00</updated><title type='text'>donna mi priega (mais um Leminski)</title><content type='html'>...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se amor é troca&lt;br /&gt; ou entrega louca&lt;br /&gt;    discutem os sábios&lt;br /&gt; entre os pequenos&lt;br /&gt;    e os grandes lábios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    no primeiro caso&lt;br /&gt; onde começa o acaso&lt;br /&gt;    e onde acaba o propósito&lt;br /&gt; se tudo o que fazemos&lt;br /&gt;    é menos que amor&lt;br /&gt; mas ainda não é ódio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    a tese segunda&lt;br /&gt; evapora em pergunta&lt;br /&gt;    que entrega é tão louca&lt;br /&gt; que toda espera é pouca?&lt;br /&gt;    qual dos cindo mil sentidos&lt;br /&gt; está livre de mal-entendidos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-6532350007319084325?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/6532350007319084325/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=6532350007319084325&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/6532350007319084325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/6532350007319084325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/02/donna-mi-priega-mais-um-leminski.html' title='donna mi priega (mais um Leminski)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-4013911913012249477</id><published>2008-02-05T21:00:00.000-02:00</published><updated>2008-02-07T01:56:49.254-02:00</updated><title type='text'>Por quê eu sempre preferi o inverno</title><content type='html'>...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Conselhos para encontrar um amor no verão &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Contardo Calligaris&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada ano, inelutavelmente, quando o verão se aproxima, a imprensa nos propõe pautas animadas por uma questão recorrente: como encontrar um amor (ou vários) neste verão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não são apenas incitações festivas a libidinagens estivais. Às vezes, aliás, elas são acompanhadas de conselhos para prolongar as paixões de verão e, quem sabe, transformá-las em amores eternos enquanto durem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, é aceita universalmente a idéia de que o verão seria a melhor estação para achar os parceiros ou as parceiras que fizeram falta no inverno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, durante as férias, todos têm mais tempo e disponibilidade para dedicar-se a essa tarefa. Mas a razão principal que faria do verão a estação dos namoros parece ser outra: no verão, a gente tira a roupa (ao menos em parte) e sai da toca. É o momento de ver e ser visto, de escolher e ser escolhido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve ser por isso que uma parte relevante dos conselhos para um verão namoradeiro são, de fato, sugestões estéticas: como perder aqueles cinco quilos em três semanas, como achatar o estômago, como esculpir os abdominais, como tornear as pernas e arrebitar as nádegas, como conseguir um bronzeado natural e dourado, qual maquiagem usar na praia, como escolher a sunga ou o biquíni certos, como desembaraçar o cabelo depois da água salgada, como vestir-se nas baladas da noite e por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que não? Afinal, para encontrar um namoro, é preciso seduzir, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo, mas não deixa de me surpreender que os conselhos para encontrar companhia sejam quase sempre dicas para nossa aparência. Ou seja, a vontade de achar alguém com quem valha a pena ficar (ao menos um pouco) se traduz em anseios narcisistas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos à procura de um outro para beijar e acabamos embaciando o espelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia ser engraçado, se não fosse triste e regular, na volta das férias, o catálogo das decepções. Não havia ninguém que valesse a pena. Ou, se havia, não vi. Quer dizer, havia um cara que não parava de olhar, mas eu não devolvia, claro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando levantou e veio na minha direção, abracei-me à minha amiga: "Fala, fala, pelo amor de Deus, faz de conta que estamos num daqueles papos que não dá para interromper". Ou, então, havia, sim, aquela mulher que passava a cada dia na frente da varanda, mas eu ia lhe dizer o quê? "Com licença, minha senhora, estou sozinho e a fim de companhia"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As praias e os calçadões dos balneários se transformam em arenas de um estranho jogo do desencontro: muitos convergem proclamando planos de amores e conquistas, todos desfilam para que os olhares cruzados confirmem a força de atração de seu "look", mas poucos se permitem um gesto que poderia alterar a máscara que eles compuseram para seduzir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A razão dessa situação é simples. É possível que cuidemos de nossa imagem na intenção de agradar ao outro, mas esse cuidado é um obstáculo a qualquer encontro ou relação. A perfeição almejada e arvorada como instrumento de sedução seria inevitavelmente comprometida se revelássemos nosso desejo. A arma da sedução (minha imagem malhada, bronzeada e produzida para seduzir) me reserva uma sina de solidão, pois ela pede também que, sendo perfeito ou perfeita, eu mostre ao mundo que não preciso de ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher que receia parecer atrevida ou pouco pudica, o homem que teme mostrar-se babaca de tanto carente são vítimas do mesmo impasse narcisista: as condições para eles serem desejáveis incluem a impávida demostração de que nada lhes falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, o narcisismo, querendo tornar todos (ou quase) desejáveis, impede a todos de desejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem, como estação dos namoros, seria preferível contar com o inverno. Quem sabe, na penumbra de um bar, protegidos por casacos e cachecóis, a gente se esqueça um instante dos requisitos da fachada sedutora, baixe a guarda e consiga confessar faltas, desejos e vontades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma lembrança. Aos 16 ou 17 anos, não me lembro direito, passei uma semana de férias em Rimini, na Riviera Adriática. Éramos um pequeno grupo de moços sedentos de aventuras, depois de um inverno de aulas de grego e latim. Todos imaginávamos e antevíamos paixões avassaladoras. Mas só um de nós as vivia: Jimmy, um jovem que nós não achávamos nem grande sedutor nem especialmente bom de papo, voltava a cada dia, ou melhor, a cada noite, para a pensão com uma companheira. O grupo reagiu desdenhosamente: afinal, as moças não eram aquelas deusas com as quais sonhávamos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas logo quisemos saber o segredo de Jimmy. "Qual é o truque, o que você faz?" Jimmy explicou: ele abordava, sistematicamente e sem hesitar, todas as moças e as mulheres que lhe parecessem minimamente agradáveis. Claro, frequentemente a coisa não dava em nada. Ele era, cotidianamente, ignorado ou rechaçado 20, quiçá 30 vezes; para a população feminina do balneário, devia ser um estorvo, mas sempre havia ao menos uma para abrir o sorriso e aceitar um convite. Ficamos estupefatos: o segredo era que Jimmy não tinha medo de uma recusa, nem vergonha de seu desejo. Para ele, simplesmente, as feridas do amor-próprio contavam menos do que sua vontade de não ficar só.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-4013911913012249477?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/4013911913012249477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=4013911913012249477&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/4013911913012249477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/4013911913012249477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/02/por-qu-eu-sempre-preferi-o-inverno.html' title='Por quê eu sempre preferi o inverno'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-3542629273438302287</id><published>2008-02-05T20:53:00.000-02:00</published><updated>2008-02-05T20:55:09.963-02:00</updated><title type='text'>Free Falling (de que eu descubro Tom Petty)</title><content type='html'>&lt;object width="315" height="80"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.ijigg.com/jiggPlayer.swf?songID=V2DG4EEP0&amp;Autoplay=0"&gt;&lt;param name="scale" value="noscale" /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.ijigg.com/jiggPlayer.swf?Autoplay=0&amp;songID=V2DG4EEP0" width="315" height="80"  scale="noscale" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Free Falling - Tom Petty&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;She's a good girl, loves her mama&lt;br /&gt;Loves Jesus and America too&lt;br /&gt;She's a good girl, crazy 'bout Elvis&lt;br /&gt;Loves horses and her boyfriend too&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It's a long day living in Reseda&lt;br /&gt;There's a freeway runnin' through the yard&lt;br /&gt;And I'm a bad boy cos I don't even miss her&lt;br /&gt;I'm a bad boy for breakin' her heart&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And I'm free, free fallin'&lt;br /&gt;Yeah I'm free, free fallin'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;All the vampires walkin' through the valley&lt;br /&gt;Move west down Ventura Boulevard&lt;br /&gt;And all the bad boys are standing in the shadows&lt;br /&gt;All the good girls are home with broken hearts&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And I'm free, free fallin'&lt;br /&gt;Yeah I'm free, free fallin'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Backing Vocals)&lt;br /&gt;Free fallin', now I'm a, free fallin', now I'm a&lt;br /&gt;Free fallin', now I'm a, free fallin', now I'm a&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I wanna glide down over Mulholland&lt;br /&gt;I wanna write her name in the sky&lt;br /&gt;Gonna free fall out into nothin'&lt;br /&gt;Gonna leave this world for a while&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And I'm free, free fallin'&lt;br /&gt;Yeah I'm free, free fallin'&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And I'm free, free fallin'&lt;br /&gt;Yeah I'm free, free fallin'&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-3542629273438302287?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/3542629273438302287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=3542629273438302287&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/3542629273438302287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/3542629273438302287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/02/free-falling-de-que-eu-descubro-tom.html' title='Free Falling (de que eu descubro Tom Petty)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-2916513008212449532</id><published>2008-02-04T02:12:00.000-02:00</published><updated>2008-02-07T23:49:51.888-02:00</updated><title type='text'>Um trechinho de "O Passado" (por Alan Pauls)</title><content type='html'>...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que o surpreendia tanto? A última coisa que soubera dela, há cerca de seis meses, um ano e meio depois da separação, também lhe viera numa mensagem escrita. Não foi uma carta, nem mesmo uma folha de papel, mas a metade – cortada à mão, com aquela pequena sobra na parte superior que um rasgo negligente ou raivoso costuma deixar sobre a linha traçada com a unha do polegar – de uma folha amarela em cujo pé, órfão de timbre, sobrevivia um endereço do bairro de Belgrano.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rímini fazia aniversário. Decidira, novamente, não comemorar, ou limitar a comemoração ao prazer solitário de ir listando num bloco os nomes dos amigos que ao longo do dia deixavam-lhe os parabéns na secretária eletrônica. Mas Vera, que interpretava sua reticência como um modo viril de coquetismo (e Vera estava certa), roubou-lhe, num descuido, sua lista de firmes lealdades telefônicas, contou-as e reservou uma mesa para doze num restaurante do centro. (Apenas dez anos separavam a franqueza dela da histeria dele: Rímini nascera com a Revolução Cubana; Vera, com o primeiro pouso na Lua.) Víctor foi o primeiro a chegar; Rímini o viu entrar, varrer o restaurante com um olhar apressado e atravessar o salão deserto com o torso excessivamente inclinado para a frente, num equilíbrio instável que Rímini atribuía ao tamanho de seus pés, desproporcionalmente pequenos, e deduziu que também seria o primeiro a ir embora. Sentou-se a seu lado, ofegante, e não o cumprimentou. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estava afobado por algum motivo. "E Vera?", perguntou em voz baixa. Rímini apontou para o balcão, onde Vera, esfregando a panturrilha com o peito do pé, passava a limpo o menu da noite com o maître. "Cruzei com Sofía esta tarde", disse Víctor. Rímini sentiu, de repente, uma pressão nas costelas, como se estivesse sendo assaltado, e baixou os olhos. A mão de Víctor se abriu: uma flor delicada, carnívora, de pétalas longas e pontas esmaltadas. Rímini viu sobre a palma um pedaço de papel que se espreguiçava após um momento de cativeiro, e depois de dar uma olhada para o balcão (Vera já se encaminhava para eles), num rápido passe de mágica o fez desaparecer. "Desculpe", sussurrou Víctor, já aliviado, enquanto se levantava para cumprimentar Vera, "mas assim que ela soube que eu ia vê-lo não houve jeito de detê-la."  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rímini só se lembrou dessa bomba-relógio secreta três horas mais tarde, no banheiro, quando tentava dissipar um enjôo olhando-se fixamente no espelho, e procurava uma moeda para a máquina automática de sabonete líquido. Tocou, com as pontas dos dedos, as chaves, a tampa da esferográfica que, nesse exato momento, acéfala, manchava um dos bolsos de seu paletó, um bilhete de metrô com a borda sulcada e, por fim, o fio do papel. Esse simples contato o deixou em sobressalto; teve a impressão de que se o abrisse desencadearia uma cascata de catástrofes. Mas era agora ou nunca. Abriu a mensagem e leu-a diante do espelho, apoiando-se e afastando-se da borda da pia, sob a luz que começara a piscar: "Maldito. Feliz aniversário. Como é possível que você continue fazendo anos sem mim? Hoje acordei cedo, muito cedo (não tenho certeza, na verdade, de ter dormido), e logo que fui para a rua (o casaco em cima da camisola, meias de lã, tênis) descobri o porquê. Outro 14 de maio! Comprei uma coisa para você (não pude evitar, juro). É uma besteirinha, está aqui comigo. Não vou dá-la ao Víctor porque tenho vergonha (e você sabe muito bem que não quero comprometê-lo diante de minha sucessora), mas assim que ele for embora (trate-o bem, cuide para que a jovem Vera o trate bem, lembre-o de tomar os remédios) vou me arrepender, na certa, só que aí será tarde. Se quiser, me ligue. Estou sempre no mesmo lugar. S. (Não tenha medo: esta mensagem se autodestruirá em quinze segundos.) ". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Empurraram a porta. Rímini sentiu um golpe nas costas e, pensando ter sido descoberto, abriu a torneira para disfarçar. O papel escapuliu de seus dedos e aterrissou no fundo da pia, onde foi batizado por três tímidos filetes de água. "Miserável", ouviu uma voz conhecida dizer. Rímini virou-se um pouco, enquanto a letra de Sofía se desfazia sob a água em volutas de tinta pálida. Era Sergio, um de seus convidados. "Você mandou todas sozinho." Rímini sorriu: "Tenho direito, não? Era um presente de aniversário".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-2916513008212449532?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/2916513008212449532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=2916513008212449532&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/2916513008212449532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/2916513008212449532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/02/um-trechinho-de-o-passado-por-alan.html' title='Um trechinho de &quot;O Passado&quot; (por Alan Pauls)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-1340987346447420878</id><published>2008-02-02T13:38:00.000-02:00</published><updated>2008-02-02T16:56:25.567-02:00</updated><title type='text'>I'll follow you into the dark (Death Cab for Cutie)</title><content type='html'>&lt;object width="315" height="80"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.ijigg.com/jiggPlayer.swf?songID=V2G04BP0&amp;Autoplay=0"&gt;&lt;param name="scale" value="noscale" /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.ijigg.com/jiggPlayer.swf?Autoplay=0&amp;songID=V2G04BP0" width="315" height="80"  scale="noscale" wmode="transparent"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I Will Follow You Into the Dark - Death Cab For Cutie&lt;/strong&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Love of mine some day you will die&lt;br /&gt;But I'll be close behind&lt;br /&gt;I'll follow you into the dark&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No blinding light or tunnels to gates of white&lt;br /&gt;Just our hands clasped so tight&lt;br /&gt;Waiting for the hint of a spark&lt;br /&gt;If heaven and hell decide&lt;br /&gt;That they both are satisfied&lt;br /&gt;Illuminate the no's on their vacancy signs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;If there's no one beside you&lt;br /&gt;When your soul embarks&lt;br /&gt;Then I'll follow you into the dark&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In Catholic school as vicious as Roman rule&lt;br /&gt;I got my knuckles brusied by a lady in black&lt;br /&gt;And I held my toungue as she told me&lt;br /&gt;"Son fear is the heart of love"&lt;br /&gt;So I never went back&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;If heaven and hell decide&lt;br /&gt;That they both are satisfied&lt;br /&gt;Illuminate the no's on their vacancy signs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;If there's no one beside you&lt;br /&gt;When your soul embarks&lt;br /&gt;Then I'll follow you into the dark&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;You and me have seen everything to see&lt;br /&gt;From Bangkok to Calgary&lt;br /&gt;And the soles of your shoes are all worn down&lt;br /&gt;The time for sleep is now&lt;br /&gt;It's nothing to cry about&lt;br /&gt;Cause we'll hold each other soon&lt;br /&gt;The blackest of rooms&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;If heaven and hell decide&lt;br /&gt;That they both are satisfied&lt;br /&gt;Illuminate the no's on their vacancy signs&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;If there's no one beside you&lt;br /&gt;When your soul embarks&lt;br /&gt;Then I'll follow you into the dark&lt;br /&gt;Then I'll follow you into the dark&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-1340987346447420878?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/1340987346447420878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=1340987346447420878&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/1340987346447420878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/1340987346447420878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/02/ill-follow-you-into-dark-death-cab-for.html' title='I&apos;ll follow you into the dark (Death Cab for Cutie)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-2480917960552828687</id><published>2008-01-31T16:01:00.000-02:00</published><updated>2008-02-07T23:51:24.741-02:00</updated><title type='text'>Mais Leminski (Esse de "La vie En Close")</title><content type='html'>...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um bom poema&lt;br /&gt;leva anos,&lt;br /&gt;cinco jogando bola,&lt;br /&gt;mais cinco estudando sânscrito,&lt;br /&gt;seis carregando pedra,&lt;br /&gt;nove namorando a vizinha,&lt;br /&gt;sete levando porrada,&lt;br /&gt;quatro andando sozinho,&lt;br /&gt;três mudando de cidade,&lt;br /&gt;dez trocando de assunto,&lt;br /&gt;uma eternidade, eu e você&lt;br /&gt;caminhando junto&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-2480917960552828687?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/2480917960552828687/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=2480917960552828687&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/2480917960552828687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/2480917960552828687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/01/mais-leminski-esse-de-la-vie-en-close.html' title='Mais Leminski (Esse de &quot;La vie En Close&quot;)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-2563784203681448888</id><published>2008-01-31T15:59:00.001-02:00</published><updated>2008-02-07T23:51:58.450-02:00</updated><title type='text'>Paulo Leminski em "Cine Luz"</title><content type='html'>...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cine tua sina&lt;br /&gt;o filme FEEL ME&lt;br /&gt;signema&lt;br /&gt;me segure firme&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cine me ensine&lt;br /&gt;a ser assim&lt;br /&gt;e a ser senda&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-2563784203681448888?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/2563784203681448888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=2563784203681448888&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/2563784203681448888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/2563784203681448888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/01/paulo-leminski-em-cine-luz.html' title='Paulo Leminski em &quot;Cine Luz&quot;'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-5921015802079519810</id><published>2008-01-27T18:33:00.000-02:00</published><updated>2008-02-07T23:52:49.620-02:00</updated><title type='text'>Trechinho de "Carta ao Zézim" (por Caio Fernando Abreu)</title><content type='html'>...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"(...) Eu conheci razoavelmente bem Clarice Lispector. Ela era infelicíssima, Zézim. A primeira vez que conversamos eu chorei depois a noite inteira, porque ela inteirinha me doía, porque parecia se doer também, de tanta compreensão sangrada de tudo. Te falo nela porque Clarice, pra mim, é o que mais conheço de GRANDIOSO, literariamente falando. E morreu sozinha, sacaneada, desamada, incompreendida, com fama de "meio doida”. Porque se entregou completamente ao seu trabalho de criar. Mergulhou na sua própria trip e foi inventando caminhos, na maior solidão. Como Joyce. Como Kafka, louco e só lá em Praga. Como Van Gogh. Como Artaud. Ou Rimbaud. (...)"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-5921015802079519810?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/5921015802079519810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=5921015802079519810&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/5921015802079519810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/5921015802079519810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/01/trechinho-de-carta-ao-zzim-por-caio.html' title='Trechinho de &quot;Carta ao Zézim&quot; (por Caio Fernando Abreu)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-4724562963252634285</id><published>2008-01-26T19:17:00.000-02:00</published><updated>2008-01-27T16:40:09.970-02:00</updated><title type='text'>A música da semana (by Vanessa da Mata e Ben Harper)</title><content type='html'>&lt;object width="315" height="80"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.ijigg.com/jiggPlayer.swf?songID=V2FFD00P0&amp;Autoplay=0"&gt;&lt;param name="scale" value="noscale" /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.ijigg.com/jiggPlayer.swf?Autoplay=0&amp;songID=V2FFD00P0" width="315" height="80"  scale="noscale" 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/&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que quer me dar&lt;br /&gt;É demais&lt;br /&gt;É pesado&lt;br /&gt;Não há paz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que quer de mim&lt;br /&gt;Irreais&lt;br /&gt;Expectativas&lt;br /&gt;Desleais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo, se segure&lt;br /&gt;Quero que se cure&lt;br /&gt;Dessa pessoa&lt;br /&gt;Que o aconselha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um desencontro&lt;br /&gt;Veja por esse ponto&lt;br /&gt;Há tantas pessoas especiais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Now even if you hold yourself&lt;br /&gt;I want you to get cured&lt;br /&gt;From this person&lt;br /&gt;Who poisoned you&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;There is a disconnection&lt;br /&gt;See through this point of view&lt;br /&gt;There are so many special people in the world&lt;br /&gt;so many special people in the world in the world&lt;br /&gt;All you want&lt;br /&gt;All you want&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que quer me dar /Everything you want to give&lt;br /&gt;me&lt;br /&gt;É demais / It's too much&lt;br /&gt;É pesado / It's heavy&lt;br /&gt;Não há paz / There is no peace&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que quer de mim / All you want from me&lt;br /&gt;Irreais/ isn't real&lt;br /&gt;Expectativas / Expectations&lt;br /&gt;Desleais&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-4724562963252634285?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/4724562963252634285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=4724562963252634285&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/4724562963252634285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/4724562963252634285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/01/blog-post.html' title='A música da semana (by Vanessa da Mata e Ben Harper)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-1599870552055824161</id><published>2008-01-25T09:48:00.000-02:00</published><updated>2008-01-25T09:52:51.600-02:00</updated><title type='text'>Olhe ao redor (by Clarice Lispector)</title><content type='html'>Olhe para todos a seu redor e veja o que temos feito de nós.&lt;br /&gt;Não temos amado, acima de todas as coisas.&lt;br /&gt;Não temos aceito o que não entendemos porque não queremos passar por tolos.&lt;br /&gt;Temos amontoado coisas, coisas e coisas, mas não temos um ao outro.&lt;br /&gt;Não temos nenhuma alegria que já não esteja catalogada.&lt;br /&gt;Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas.&lt;br /&gt;Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos.&lt;br /&gt;Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo.&lt;br /&gt;Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda.&lt;br /&gt;Temos procurado nos salvar, mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes.&lt;br /&gt;Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de ciúme e de tantos outros contraditórios.&lt;br /&gt;Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível.&lt;br /&gt;Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa.&lt;br /&gt;Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada.&lt;br /&gt;Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos o que realmente importa.&lt;br /&gt;Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.&lt;br /&gt;Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses.&lt;br /&gt;Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz.&lt;br /&gt;Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos.&lt;br /&gt;Temos chamado de fraqueza a nossa candura.&lt;br /&gt;Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo.&lt;br /&gt;E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-1599870552055824161?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/1599870552055824161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=1599870552055824161&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/1599870552055824161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/1599870552055824161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/01/olhe-ao-redor-by-clarice-lispector.html' title='Olhe ao redor (by Clarice Lispector)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-893836111026632764</id><published>2008-01-12T22:02:00.000-02:00</published><updated>2008-01-13T11:43:05.202-02:00</updated><title type='text'>(by Clarice Lispector. In: Água Viva)</title><content type='html'>(...) Mas eu denuncio. Denuncio nossa fraqueza, denuncio o horror alucinante de morrer - e respondo a toda essa infâmia com - exatamente isto que vai agora ficar escrito - e respondo a toda essa infâmia com a alegria. Puríssima e levíssima alegria. A minha única salvação é a alegria. Uma alegria atonal dentro do it essencial. Não faz sentido? Pois tem que fazer. Porque é cruel demais saber que a vida é única e que não temos como garantia senão a fé em trevas - porque é cruel demais, então respondo com a pureza de uma alegria indomável. Recuso-me a ficar triste. Sejamos alegres. Quem não tiver medo de ficar alegre e experimentar uma só vez sequer a alegria doida e profunda terá o melhor de nossa verdade. Eu estou - apesar de tudo oh apesar de tudo - estou sendo alegre neste instante-já que passa se eu não fixá-lo com palavras. Estou sendo alegre neste mesmo instante porque me recuso a ser vencida: entao eu amo. Como resposta. Amor impessoal, amor it, é alegria. Mesmo o amor que não dá certo, mesmo o amor que termina. (...)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-893836111026632764?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/893836111026632764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=893836111026632764&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/893836111026632764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/893836111026632764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/01/by-clarice-lispector-in-gua-viva.html' title='(by Clarice Lispector. In: Água Viva)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-7683065372119488288</id><published>2008-01-09T11:28:00.000-02:00</published><updated>2008-01-09T11:49:14.852-02:00</updated><title type='text'>Dois ou três almoços, uns silêncios (by Caio Fernando Abreu)</title><content type='html'>Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de "minha vida". Outros fragmentos, daquela "outra vida". De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector "Tentação" na cabeça estonteada de encanto: "Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível". Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era isso — aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Publicado no jornal "O Estado de S. Paulo", 22/04/1986)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-7683065372119488288?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/7683065372119488288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=7683065372119488288&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/7683065372119488288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/7683065372119488288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/01/dois-ou-trs-almoos-uns-silncios-by-caio.html' title='Dois ou três almoços, uns silêncios (by Caio Fernando Abreu)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-168670767173791403</id><published>2008-01-09T11:03:00.001-02:00</published><updated>2008-01-09T11:03:35.946-02:00</updated><title type='text'>A imponderável mística amorosa (by Priscila Lopes)</title><content type='html'>Era mistério. Porque havia tudo naquele olharzinho de nada que ela me dava quando se concentrava no que eu não havia dito. Perdido estava meu pensamento no instante em que ela me olhava. E no fundo eu acreditava no olhar dela mais do que em suas palavras. Evidente. A gente não se dizia, a gente se consentia e pronto. Parece que o ser humano se desumaniza no instante em que ama, e ama a si mesmo quando olha o outro e sente o coração se apertar de angústia alegre – amor! – que breve, breve... Ela possuía o (meu) mundo nas mãos quando eu estava em seus braços – porque o mundo era ela e eu naquelas horas de silêncio mútuo. Mas a mutualidade é bastante reversível, e às vezes ela falava tanto que eu pensava que ficaria mudo para sempre. Porque ela parecia entender de tudo o que eu, na minha miudez emocional, já desistira de refletir. O ser humano é uma escrivaninha repleta de gavetas. Eu abria uma ou outra, ela fechava minhas tantas, e a gente assim escrevia um romance. Porque as mãos percorrem sentidos como se massageassem o ego do outro, ou de si mesmo quando o prazer é recíproco – mas não vou falar de mutualidade novamente. Talvez fosse só princípio, e a história sem fim. Eu me derretia todo quando não sabia que horas iria levá-la embora. Por que cabia a mim a angustiante missão? Levar o que se pediu para trazer - ter que devolver. E eu nem podia compartilhar, sentimentos tão bobos que nem para se rir deles serviam. Na vida a gente pula de mistério em mistério, até descobrir que vida é redescoberta. Eu já havia sentido aquelas coisas tolas antes, mas não lembrava – e hoje nem penso mais sobre isso que é para não ter saudade do antes e acostumar-me a ser para sempre o depois. E depois veio o medo de não ser o que ela esperava e eu nem sabia. E ela vinha correndo me dar notícias do que eu seria: "uma casa com quatro quartos, eu quero ter um casal de filhos, meu sonho é morar na França". Quando a gente se depara com o futuro, perde o ritmo com que caminhava até ele. Um temor enorme de rendição ao tempo, e me subia pelo peito arrepiando tudo. Eu vou morrer colado aos lábios dela, ouvindo-a sussurrar “eu te amo”. A gente se sente romântico quando gosta de alguém de graça, e eu me satisfazia sem que fosse necessário sentir que ela também sentia – mas no fundo eu sempre soube. “Jamais teria dado certo”, é uma certeza confortante quando se está distante. Mas eu ali, tão perto que minha mão na dela parecia me conectar à outra vida, e eu me encontrava em diversos estados de humor. Apesar de tudo, nosso medo revirava o nada à procura de sossego quando éramos só nós dois. Um beijo no destino e boa sorte. Eu me sentia tão por dentro de tudo que ela, vista de fora, me assustava. Houve um momento deslumbrado em que olhei para ela e pensei que não agüentaria. Porque há limite para o sentimento, sim. A gente sabe até onde pode ir sem se perder de vista. E eu ali sorrindo e tocando seu pescoço, suavemente deslizando para dentro da sua blusa, a ponto de não saber mais voltar – nem faria questão – era o perigoso mistério do estar a sós com alguém. Mas nós já não estávamos sozinhos quando o mundo era ela e eu. Havia o passado um do outro, que perturbava tanto, o futuro a acenar por nós desesperado – não venham! – e um presente entrelaçado de razão e sonhos. O plano era não planejar nada. E o imprevisível instalou-se ameaçadoramente belo à nossa frente. Mas eu falava de mistério. O mistério somos nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-168670767173791403?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/168670767173791403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=168670767173791403&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/168670767173791403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/168670767173791403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/01/impondervel-mstica-amorosa-by-priscila.html' title='A imponderável mística amorosa (by Priscila Lopes)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-7469043964369266840</id><published>2008-01-09T11:00:00.000-02:00</published><updated>2008-01-09T11:02:25.431-02:00</updated><title type='text'>(by Leminski)</title><content type='html'>O que quer dizer diz.&lt;br /&gt;Não fica fazendo   &lt;br /&gt;         o que, um dia, eu sempre fiz.&lt;br /&gt;Não fica só querendo, querendo,    &lt;br /&gt;         coisa que eu nunca quis.&lt;br /&gt;O que quer dizer, diz.    &lt;br /&gt;         Só se dizendo num outro&lt;br /&gt;o que, um dia, se disse,    &lt;br /&gt;         um dia, vai ser feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-7469043964369266840?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/7469043964369266840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=7469043964369266840&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/7469043964369266840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/7469043964369266840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/01/by-leminski.html' title='(by Leminski)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-5538153982766817433</id><published>2008-01-07T20:57:00.000-02:00</published><updated>2008-01-08T15:26:41.627-02:00</updated><title type='text'>“Closer - Perto Demais": por que somos infelizes em amor? (by Contardo Calligaris)</title><content type='html'>Concordo com Caetano Veloso, "de perto ninguém é normal". Mas "Closer - Perto Demais", de Mike Nichols, me deixou pensando diferente: de perto, somos normais demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme é uma demonstração tocante de nossas impotências e incompetências sentimentais. Se você quer saber por que, em regra, somos infelizes em amor, não perca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não estragar o prazer de quem não viu o filme, nada de resumo, apenas as reflexões fragmentárias com as quais passei a noite, depois de ter assistido a "Closer - Perto Demais".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Por que, no meio de uma história amorosa que funciona, um encontro (que sempre parece mágico) pode levar alguém a trocar a intimidade de um casal companheiro por uma visão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os evolucionistas dizem que os homens são infiéis por necessidade biológica. Para que a espécie continue, os machos seriam programados com o desejo de fecundar todas as fêmeas possíveis. A teoria tem uma falha: as mulheres são tão infiéis quanto os homens (embora os homens se recusem a acreditar nessa banalidade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senso comum tem outra explicação: a paixão iria se apagando com a repetição, os humanos gostariam de novidade. Pequeno problema: a idéia de que a novidade seja um valor é especificamente moderna; no entanto a inconstância em amor é um hábito antigo. Outro problema ainda maior: na condução de nossas vidas, somos obstinadamente repetitivos. Insistimos nas mesmas fantasias e nos mesmos sintomas. Contrariamente ao que diz o provérbio, errar é divino, perseverar é humano. Por que seria diferente em matéria amorosa? Como pode ser que um encontro, em que mal se sabe quem é o outro ou a outra, contenha uma promessa que basta para levar alguém a dar um chute num amor que dura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento responder: apaixonar-se é idealizar o outro, durar no amor é lidar com a realidade do amado ou da amada. Antes de ponderar os charmes da idealização, duas observações.&lt;br /&gt;Um impasse: para manter a paixão, devo continuar idealizando o parceiro. Mas, para idealizar o outro, devo mantê-lo a distância. Se mantenho o outro a distância, renuncio aos prazeres de amor, companheirismo, cumplicidade, convivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um paradoxo: se me separo porque me apaixono por outra ou outro, o parceiro que deixei se distancia de mim, portanto volto a idealizá-lo e a me apaixonar por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Por que gostaríamos tanto de idealizar o outro que vislumbramos num novo encontro? Uma nova paixão amorosa é provavelmente o sentimento que mais pode nos transformar, para o bem ou para o mal. Por exemplo, se o outro me idealiza, carrego seu ideal como um casaco novo: modifico minha postura para que o pano caia bem no meu corpo. De uma certa forma, tento me parecer com o ideal que o outro ama em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada amor, quando começa, é uma aventura. Não porque encontro um novo parceiro, mas porque, ao me apaixonar, descubro ou invento um novo ideal e, ao ser amado, mudo para me aproximar do que o outro imagina que eu seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A inconstância amorosa talvez seja a expressão imediata do desejo de mudar -não de trocar de parceiro, mas de se reinventar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é estranho que, na hora em que um amor começa, alguém decida se dar um novo nome. Nenhuma mentira nisso, apenas a convicção e a esperança de que a paixão nos transforme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, mudar é difícil: a sedução exercida pelos novos amores é uma veleidade, um pouco como as resoluções de que as coisas serão diferentes no ano que começa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Dizem que um casal que se ama briga muito. O uso erótico das brigas é conhecido: a paz se faz na cama. Menos conhecido é o uso amoroso das brigas: chegar ao limite da ruptura pode ser um jeito de recomeçar, de voltar ao momento inicial da paixão, quando ambos esperavam que o amor os transformasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Problema: ninguém sabe qual é o ponto de equilíbrio além do qual as brigas não garantem renovação nenhuma, apenas desgastam um amor que se perde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Alguém se apaixona por outra pessoa porque, ele se queixa, sua parceira precisa dele. É aquela coisa: seu amor me exige demais, você me sufoca, me prende. Isso, é claro, é um jeito de dizer: com você sou sempre o mesmo. Também é uma projeção: separo-me porque não agüento minha própria dependência de você. Visto que me detesto por estar a fim de lhe pedir amor a cada minuto, acho intolerável que você me peça. Quem pensa e age assim, em geral, fica sozinho no fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) Um homem volta para o lar depois de ter estado nos braços de outra. Sua mulher pergunta: você me ama ainda? Ela tem razão, é a única pergunta que importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mulher volta para o lar depois de ter estado nos braços de outro. Seu homem pergunta: você esteve com ele? Insiste: quero a verdade. Pede os detalhes: gostou? Gozou? Onde aconteceu, em que posição, quantas vezes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ciúme feminino é uma exigência amorosa. O ciúme do homem é uma competição com o outro, um duelo de espadas, uma esgrima homossexual que tem pouco a ver com o amor pela amada e muito a ver com as excitantes lutinhas masculinas da infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, quem sabe o filme nos ajude a inventar jeitos de amar menos desafortunados e mais interessantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-5538153982766817433?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/5538153982766817433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=5538153982766817433&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/5538153982766817433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/5538153982766817433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/01/closer-perto-demais-por-que-somos.html' title='“Closer - Perto Demais&quot;: por que somos infelizes em amor? (by Contardo Calligaris)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-7516754867158486578</id><published>2008-01-07T20:49:00.000-02:00</published><updated>2008-01-09T11:04:42.259-02:00</updated><title type='text'>Amizade de Astros (by Nietzsche)</title><content type='html'>"Éramos amigos e nos tornamos estrangeiros um para o outro. Mas é bom que seja assim, e não queremos dissimular nem obscurecer este fato como se tivéssemos de sentir vergonha dele. Somos dois navios que perseguem rumo e objetivo próprios; podemos, sem dúvida, nos cruzar e celebrar festas entre nós, como já fizemos -- então, os bons navios repousavam, lado a lado, no mesmo porto, sob o mesmo sol, tão calmos que pareciam ter atingido o objetivo e tido o mesmo destino. Mas, depois, o apelo irresistível de nossa missão nos levava, de novo, para longe um do outro, para mares, em direção a paragens, sob sóis diferentes -- talvez para nunca mais nos revermos, talvez para nos revermos ainda uma vez, sem nos reconhecermos: mares e sóis diferentes nos teriam transformado! Que devêssemos nos tornar estrangeiros um ao outro era a lei acima de nós: é por isso mesmo que devemos nos tornar mais respeitáveis um para o outro! É por isso mesmo que o pensamento de nossa amizade de outrora nos deve ser mais sagrado! É provável que nossas rotas e objetivos divergentes se achem inscritos como ínfimos trajetos - numa imensa curva indivisível, numa imensa via estelar - elevemo-nos a este pensamento! Mas nossa vida é breve demais, nossa visão fraca demais, para que possamos ser mais do que amigos no sentido dessa possibilidade sublime! E assim queremos crer na nossa amizade de astros, mesmo que devamos ser inimigos na terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(NIETZSCHE -- "Amizade de Astros" In: A Gaia Ciência )&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-7516754867158486578?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/7516754867158486578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=7516754867158486578&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/7516754867158486578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/7516754867158486578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/01/amizade-de-astros.html' title='Amizade de Astros (by Nietzsche)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-2294661167937153757</id><published>2008-01-01T18:35:00.000-02:00</published><updated>2008-01-09T11:51:05.197-02:00</updated><title type='text'>Da importância de saber se comunicar (ou um exercício de estética)</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Ada Brunstein escreveu para o New York Times um texto que conta o namoro dela com um cara que mora no mesmo apartamento que a ex-mulher. Um trecho me surpeendeu: versa sobre as sutilezas da linguagem. Tem a ver com o que eu falo sempre de que a linguagem é, para além do exercício de poética, um exercício de estética.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Havia muita coisa a negociar. Tive de estabelecer algumas regras básicas. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nada de telefonemas tarde da noite no celular só para dar um alô. Consegui (depois de alguns meses). Nada de visitas dele à família dela para perpetuar o mito da felicidade conjugal. Consegui (depois da visita).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Também houve negociações lingüísticas. Ele adotou a voz passiva para facilitar as coisas para mim. Certa vez eu estava na frente de uma estante na cozinha, onde três prateleiras continham uma impressionante coleção de saleiros e pimenteiros de todo o país.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Você coleciona saleiros e pimenteiros?, perguntei.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- São saleiros e pimenteiros que vieram para a casa ao longo dos anos, ele disse.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E ele tem sido mais cuidadoso com os possessivos. "A casa", ele diz, e não "nossa casa".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Realmente incrível.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-2294661167937153757?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/2294661167937153757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=2294661167937153757&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/2294661167937153757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/2294661167937153757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/01/da-importncia-de-saber-se-comunicar-ou.html' title='Da importância de saber se comunicar (ou um exercício de estética)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-7271294659526105671</id><published>2008-01-01T18:32:00.000-02:00</published><updated>2008-01-01T18:33:01.917-02:00</updated><title type='text'>Amor moderno: a casa com quatro escovas no banheiro (um trecho; by Ada Brunstein)</title><content type='html'>As mulheres não guerreiam como os homens, não de cara, e só se não houver outro jeito. Os homens guerreiam nas planícies e nos desertos, vestindo armadura completa, empunhando armas letais. As mulheres guerreiam tão imperceptivelmente que nem sempre fica claro que existe uma batalha, como tremores de terra que você quase não consegue sentir, mas pode notar que o vento ficou diferente ou que os animais estão agindo estranhamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-7271294659526105671?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/7271294659526105671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=7271294659526105671&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/7271294659526105671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/7271294659526105671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/01/amor-moderno-casa-com-quatro-escovas-no.html' title='Amor moderno: a casa com quatro escovas no banheiro (um trecho; by Ada Brunstein)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-6935126206776388640</id><published>2008-01-01T18:31:00.002-02:00</published><updated>2008-01-09T21:02:34.010-02:00</updated><title type='text'>I still haven't found what I'm looking for</title><content type='html'>Eu escrevo de olhos fechados.&lt;br /&gt;Eu já tive certeza. Eu já encarei olhares, já soube o que você quis me dizer. Eu já vi mais claramente o fiapo que nos prende - prendia.&lt;br /&gt;Mas canta, Bono.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;I still haven’t found what I’m looking for.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Eu também ainda não achei.&lt;br /&gt;Eu enceno sorrisos.&lt;br /&gt;Eu hoje disse que tenho saudades.&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;Tudo bem, nem queria ouvir de volta. Um-hum...&lt;br /&gt;&lt;em&gt;I still haven’t found what I’m looking for.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mas continuo procurando.&lt;br /&gt;A senhorita me concederia esta dança?&lt;br /&gt;Que dança, parceiro?&lt;br /&gt;Não há dança.&lt;br /&gt;Nós não sabemos bailar.&lt;br /&gt;Então nos perdemos em risadas, em carinhos, em sexo.&lt;br /&gt;Mas era a entrega que eu estava procurando.&lt;br /&gt;Entrega?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;I still haven’t found what I’m looking for.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dois ou três olhares, uns silêncios. Desculpe o plágio descarado, Caio.&lt;br /&gt;O amor será dessas coisas que a gente também pode construir?&lt;br /&gt;Ou é coisa que nos invade irremediavelmente sem bater à porta, sem excusas nem remorso?&lt;br /&gt;- Amanhã a gente se fala.&lt;br /&gt;Quando tudo quanto eu queria ouvir era&lt;br /&gt;- Sinto sua falta.&lt;br /&gt;Ou&lt;br /&gt;-Adoro você.&lt;br /&gt;Ou&lt;br /&gt;- Eu também.&lt;br /&gt;Qualquer coisa que fosse um sentimento, uma pulsão.&lt;br /&gt;Mas amanhã a gente se fala.&lt;br /&gt;Quem sabe amanhã a gente se vê, né, Xico Sá?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;I still haven’t found what I’m looking for.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Da outra vez não foi assim.&lt;br /&gt;Será um dia de novo?&lt;br /&gt;Eu não preciso de certezas.&lt;br /&gt;Eu preciso de entregas.&lt;br /&gt;Não sei se caso ou compro uma bicicleta.&lt;br /&gt;É como o castelo de cartas:&lt;br /&gt;Não se mexa, não respire, não faça nenhum movimento brusco.&lt;br /&gt;Se for pra derrubá-lo, pode deixar que eu mesmo faço.&lt;br /&gt;Afinal de contas, eu tenho feito tudo, não?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;I still haven’t found what I’m looking for.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Há algum tempo… não, mais tempo ainda. Há algum tempo eu quis a calma.&lt;br /&gt;Hoje eu quero a explosão, o curto-circuito.&lt;br /&gt;Como pode?&lt;br /&gt;Bem que me avisaram: cuidado com os seus desejos, eles podem se tornar realidade.&lt;br /&gt;Mas tudo bem.&lt;br /&gt;Fica a promessa: não falo mais, não reclamo, não critico.&lt;br /&gt;Sobretudo não peço.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;I still haven’t found what I’m looking for.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mas vou continuar procurando.&lt;br /&gt;Quem sabe uma hora eu acho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-6935126206776388640?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/6935126206776388640/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=6935126206776388640&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/6935126206776388640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/6935126206776388640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/01/i-still-havent-found-what-im-looking.html' title='I still haven&apos;t found what I&apos;m looking for'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-8219921482119269615</id><published>2008-01-01T18:31:00.001-02:00</published><updated>2008-02-12T12:32:50.776-02:00</updated><title type='text'>Resposta à carta de uma amiga viajante</title><content type='html'>Que delícia receber notícias suas.&lt;br /&gt;Fico muito feliz que Nova York tenha te cooptado.&lt;br /&gt;Não, eu não aderi ao neoliberalismo. (Aliás, na sua ausência, adotei uma boina a la Guevara. Mas não por questões ideológicas, senão por questões estético-financeiras!)&lt;br /&gt;É que, embora eu não ignore o umbiguismo way of life de NY, eu vejo essa democracia, eu vejo esse cosmopolitismo que os novaiorquinos respiram e que fariam tão bem ao meio-oeste e às regiões mais conservadoras e retrógradas dos EUA.&lt;br /&gt;Essa CIVILIDADE eu respirei em Buenos Aires em boa medida. Vi isso que você comentou - das pessoas que mantêm a ordem original da fila de supermercado quando uma nova se abre - nos faróis de pedestres, que piscam um loooongo tempo até que as pessoas tenham atravessado. Só então o sinal vermelho dos motoristas vira amarelo - veja só! - pra depois virar verde.&lt;br /&gt;Um filósofo - não sei qual - disse que o grau de civilidade de um lugar se mede pela largura das calçadas. Acho que nós podemos incluir nesse IC (Índice de Civilidade) as filas de supermercado e os faróis de pedestres.&lt;br /&gt;Daqui, o que tenho a te dizer é que tudo corre muito bem.&lt;br /&gt;Sinto muito a sua falta.&lt;br /&gt;Amo você também.Um beijo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-8219921482119269615?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/8219921482119269615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=8219921482119269615&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/8219921482119269615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/8219921482119269615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/01/resposta-carta-de-uma-amiga-viajante.html' title='Resposta à carta de uma amiga viajante'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-8060715219396097018</id><published>2008-01-01T18:30:00.000-02:00</published><updated>2008-01-01T18:31:17.863-02:00</updated><title type='text'>Silêncio Amoroso (by Affonso Romano de Sant'Anna)</title><content type='html'>Preciso do teu silêncio&lt;br /&gt;cúmplice&lt;br /&gt;sobre minhas falhas.&lt;br /&gt;Não fale.&lt;br /&gt;Um sopro, a menor vogal&lt;br /&gt;pode me desamparar.&lt;br /&gt;E se eu abrir a boca&lt;br /&gt;minha alma vai rachar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio, aprendo, pode construir. É modo&lt;br /&gt;denso/tenso-de coexistir&lt;br /&gt;Calar, às vezes,&lt;br /&gt;é fina forma de amar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-8060715219396097018?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/8060715219396097018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=8060715219396097018&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/8060715219396097018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/8060715219396097018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/01/silncio-amoroso-by-affonso-romano-de.html' title='Silêncio Amoroso (by Affonso Romano de Sant&apos;Anna)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-3916255636755231112</id><published>2008-01-01T18:29:00.000-02:00</published><updated>2008-01-01T18:30:04.542-02:00</updated><title type='text'>A cidade e as trocas 2 (by Ítalo Calvino)</title><content type='html'>Em Cloé, cidade grande, as pessoas que passam pelas ruas não se reconhecem. Quando se vêem, imaginam mil coisas a respeito umas das outras, os encontros que poderiam ocorrer entre elas, as conversas, as surpresas, as carícias, as mordidas. Mas ninguém se cumprimenta, os olhares se cruzam por um segundo e depois se desviam, procuram outros olhares, não se fixam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa uma moça balançando uma sombrinha apoiada no ombro, e um pouco das ancas, também. Passa uma mulher vestida de preto que demonstra toda sua idade, com os olhos inquietos debaixo do véu e os lábios tremulantes. Passa um gigante tatuado, um homem jovem com cabelos brancos; um anã, duas gêmeas vestidas de coral. Corre alguma coisa entre eles, uma troca de olhares como se fossem linhas que ligam uma figura à outra e desenham flechas, estrelas, triângulos, até esgotar num instante todas as combinações possíveis, e outras personagens entram em cena: um cego com um guepardo na coleira, uma cortesã com um leque de penas de avestruz, um efebo, uma mulher canhão. Assim, entre aqueles que por acaso procuram abrigo da chuva sob o pórtico, ou aglomeram-se sob uma tenda do bazar, ou param para ouvir a banda na praça, consumam-se encontros, seduções, abraços, orgias, sem que se troque uma palavra, sem que se toque um dedo, quase sem levantar os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma contínua vibração luxuriosa em Cloé, a mais casta das cidades. Se os homens e as mulheres começassem a viver os seus sonhos efêmeros, todos os fantasmas se tornariam reais e começaria uma história de perseguições, de ficções, de desentendimentos, de choques, de opressões, e o carrossel das fantasias teria fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-3916255636755231112?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/3916255636755231112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=3916255636755231112&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/3916255636755231112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/3916255636755231112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/01/cidade-e-as-trocas-2-by-talo-calvino.html' title='A cidade e as trocas 2 (by Ítalo Calvino)'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8685312102903399945.post-6788114384698827121</id><published>2008-01-01T18:23:00.000-02:00</published><updated>2008-01-01T18:24:44.707-02:00</updated><title type='text'>Desamar</title><content type='html'>Em mais num sendo o qui agora conto.&lt;br /&gt;Assim, assim - di mais num querê lembrá. Di engano, mi tento.&lt;br /&gt;E assim foi: tocô o telefone e era ela, ou só pudia.&lt;br /&gt;Alô?&lt;br /&gt;Ela mi queria!&lt;br /&gt;Não, enganei.&lt;br /&gt;Mi queria falar alguma coisa, ocê descurpe a construção errada dessa frase. E da forma qui era, sério era.&lt;br /&gt;Ali eu já sôbe que tomaram forma as coisa que si prenunciaram. Dias antes. Mais podia ser. Diferente não. Isso vareia.&lt;br /&gt;Porque a verdade – a bem da verdade – ela mais num queria. Mais eu sim. Chorei.&lt;br /&gt;Encontro.&lt;br /&gt;A intuição, coisa de Deus, raro falha. E, naquele caso, tinha exceção, não.&lt;br /&gt;Sabe, disse ela, tem mais jeito não.&lt;br /&gt;Um disgostá? Uma mentira?&lt;br /&gt;Peloamordedeus não me larga! Larga não, gritei, gritô minh'alma. Faiz isso não. Eu ti amo.&lt;br /&gt;E ela era só dúvidas. Mais, tinha como não, repitiu.&lt;br /&gt;Eu, prantos.&lt;br /&gt;Dei passagem duas veiz, ou trêis, si mi alembro. Di morrê mesmo, di batê com as butina. Di disencarná.&lt;br /&gt;Inda tentei. Qui mais num havia nesse mundo que eu num fizesse. Si ela mi pidisse a Lua, eu traria. Traria o Sol, mesmo que ele queimasse as minha mão.&lt;br /&gt;Di tudo, tudo quanto eu quiria era nada. Porque nada resovia os meu pobrema.&lt;br /&gt;E ela, di um jeito simples-difícil di num cedê.&lt;br /&gt;Tudo mais importa, não sinhô.&lt;br /&gt;Ocê sabe o que é morrê de amor? Eu sei, eu sôbe, vô sabê pra sempre. Porque coisa dessas nóis num si isqueci nunca. Nunca si isqueci essas dô de amor.&lt;br /&gt;E mais eu digo: que di assim, di assado, si eu fosse homem desses que faiz a lei, assim eu iscrevia: qui a partí de hoje, com caráter de valê pra tudo qui ficô pra traiz, está terminantemente proibido disamá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8685312102903399945-6788114384698827121?l=deliriosedesatinos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/feeds/6788114384698827121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8685312102903399945&amp;postID=6788114384698827121&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/6788114384698827121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8685312102903399945/posts/default/6788114384698827121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://deliriosedesatinos.blogspot.com/2008/01/desamar.html' title='Desamar'/><author><name>Ruben</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05572472801762832050</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
